27.7.09

Tornero



foi o melhor que consegui arranjar :)

21.7.09

Da necessidade da indignação


Coisa pouca alimenta o coro dos indignados, passados os exames nacionais basta uma pequena notícia e ala que se faz tarde. Á hora a que escrevo já lá vão quase 300 sábios comentários no Público on-line. Esquecem-se estes mortais que há mais, mas muito mais, coisas entre o céu e a terra... e que importa? o importante é podermos verter o nosso fel e clamar de facilitismo. Facilitismo e incompetência, pois então, do regime, dos pais, dos professores, dos psicólogos e por aí fora, que é o que é bom e deixa as consciências mais sossegadas. Fui professora durante alguns anos e deixei de o ser há 14 anos, mas ao que dou conta as coisas não mudaram muito. Vi alguns casos, poucos, e indignei-me, de miúdos que transitarem “por comodismo”, basicamente para não lhes aturarem os pais que iriam recorrer, o que com o Verão e as férias a chegarem, não dá jeito nenhum, outros a chumbarem muito bem e outros a passarem de ano apesar de terem mais negativas do que as permitidas. Casos longamente ponderados, um a um, por se considerar que a retenção não faria nada pelo aluno. Sabem lá os senhores, os dramas que se escondem em cada escola. A escola tem a obrigação de, em conjunto com os pais (quando estes existem e cooperam e caso contrário a criança não pode ser por isso penalizada), encontrar uma solução de vida para cada aluno do ensino básico.
Ou invejam a vida do aluno, malandro, que apesar de ter 9 negativas passou de ano?
aqui contei as circunstâncias que me levaram a subir a nota a uma aluna que deveria chumbar. E não me arrependi.


Ler

Limpa coração


20.7.09

Inaceitável


a posição tomada pela Chiado Editora. Ler o Rui Bebiano e o Luís Januário*





*com o Luís não concordo, de modo algum, com o que o título sugere, não vejo semelhanças entre os dois casos.

Memória das Gripes

Willy Ronis



Na de 57/58 ainda não tinha nascido e por isso não me sobra relato. Da de 68/70 nem lhe sabia a existência, desses anos recordo a chegada do homem à lua, que agora também se comemora (a esse propósito ouvi agora uma piada seca, porque é que se lembraram de chegar à lua quando esta estava em quarto crescente, não seria mais fácil em lua cheia?). A de 57/58 é muito antiga, como comprova esta história que me foi contada pela minha mãe: o pico da gripe tinha sido por Novembro e a minha mãe foi operada ao apêndice no Janeiro seguinte. Nesses anos os estudantes universitários (caso da minha mãe) tinham quartos reservados nos HUC (hospitais da universidade de Coimbra) e a minha mãe foi lá encontrar dois colegas que lá se mantinham, esquecidos, desde o Novembro anterior. Não que precisassem de estar internados, mas o quarto e alimentação de borla agradava-lhes: iam às aulas e no resto no tempo entretinham-se a preparar armadilhas e gaiolas para os muitos ratos que povoavam o hospital.
Ora, nos dias de hoje, já não se concebe um hospital pejado de ratos (pelos menos em países desenvolvidos), e ensina-se a não espirrar em cima do parceiro do lado, e ensina-se a lavar as mãos bem lavadas, e existe o TAMIFLU, temos que ser optimistas.

17.7.09

H1N1

Henri Cartier Bresson






Um amigo voltou de um congresso em Espanha. Disse-me que os únicos que por lá tinham medo dos virus eram mesmo os portugueses. É Verão e os espanhóis têm mais que fazer.


estou, irresponsavelmente, com a Joana .

Férias Grandes


Só aos nove, dez, anos conheci o novo-riquismo do Algarve. Até lá o Algarve era algo muito, muito, longe, nem seria bem Portugal, muito mais longe e estrangeiro que Espanha, que era logo ali ao lado. Até lá praia era no norte, ali onde ainda hoje os pescadores morrem no mar, o mar gelado, e não me lembro de algum dia ter deixado de tomar banho, a infância que nos protege. A praia eram os meus avós que alugavam uma casa que os pescadores vagavam no Verão, para onde iriam morar os pescadores no Verão? e a família que se mudava toda para lá, o meu avô passava o dia no café sobre a praia, a ler e a escrever, olha lá está o avô com os seus livros no café a ler e a escrever, e a avó e as tias solteiras a tomarem conta da criançada na barraca, na praia. A tia que era um ás do jogo do prego, o creme nívea da lata azul que só por convicção protegia dos raios solares. Havia sempre dias de chuva nos meses de Agosto que lá passávamos, a praia cheia de pulgas da areia e as barracas, unidas pelo panos, nessa altura já tínhamos amigos em toda a vizinhança, transformavam-se em castelos vagamente persas, as toalhas de praia quais tapetes de odaliscas. No resto dos dias era praia de manha à noite, à noite íamos com as tias solteiras ao café. Pelas cinco da tarde chegava a empregada com o açafate do lanche, café com leite em garrafas e muitos pães com queijo ou manteiga ou, delícia das delícias, com pasta, que ainda não era patê, de sardinha de lata.
Apenas uma vez o verão foi diferente, quis o acaso que a minha mãe me mandasse fazer praia com a minha madrinha e as suas irmãs, todas mulheres solteiras e sem filhos e que da infância sabiam pouco. Era uma casa imponente numa das ruas antigas da Póvoa, uma empregada de crista na cabeça que nos servia sopa, prato de peixe, prato de carne fruta e doce numa mesa muito comprida e austera, a criança que era eu em silêncio. O quarto imenso aterrorizava-me as noites, de dia era uma princesa, tive todos os brinquedos de praia, até o moinho de areia, vi todos os filmes da Disney no Cine-Teatro, mas que saudades da liberdade dos meus irmãos.
Este ano volto às praias do norte, ao vento e às manhãs de nevoeiro, ao cheiro a sargaço, as mulheres, de saias arregaçadas a apertarem-lhes as coxas, na apanha do sargaço para adubarem as terras, a tronchuda da Póvoa é do melhor que há. Vou ainda mais para norte, lá onde vive o velho reaccionário. Mas já não é a mesma coisa.

Manifesto (I)

E não me venham dizer que são todos iguais. O que eu não quero é o rigor da MFL na Festa do Chão da Lagoa ou um Bagão Félix mesmo que sentado num tractor.

16.7.09

Manifesto

Poderia assinar por baixo de quase tudo.

parcimónia

pablo picasso

O director Fischel do Banco Lloyd, gostava de filosofar, mas apenas dez minutos por dia.


Robert Musil, O homem sem qualidades



sem qualidades


Mas os quartos comuns com as luzes apagadas colocam um homem na situação do actor que tem de representar para uma plateia invisível o papel gratificante mas já gasto de um herói que finge ser um leão a rugir. Ora, desde há anos que o auditório escuro de Leo não manifestava o mínimo sinal de aplauso, nem qualquer espécie de desaprovação, o que, temos de o reconhecer, é suficiente para abalar os mais sólidos nervos.
Robert Musil, O homem sem qualidades

10.7.09



Julia Margaret Cameron (sec XIX)

Os mortos em Timor

Os mortos em Timor, não são os corpos que os vivos habitaram neles.




Não é o corpo de Tomás que continua proprietário do carro azul. É o seu nome, intensamente guardado na memória daqueles para quem esse nome tinha um significado. Esse nome não apodreceu. Habita o presente, está ali.
É preciso recordar que para Egídio, o corpo de Tomás não existiu durante a maior parte dos anos em que o seu sobrinho, foi, digamos, biologicamente vivo, pois levaram-no de Bauró em criança, sem rasto.
Sob a ocupação indonésia, os raptos equivaliam a óbitos. Olhada de fora a persistência de Egídio parece gratuita. Mas o tio encontrou finalmente o sobrinho e o sobrinho regressou à família e à tribo. Isto é: Tomás, a jóia da família Gandara, viveu apenas porque alguém o manteve vivo. De outra forma, teria morrido aos três anos e, na sua vez, mas no mesmo corpo, teria continuado a viver um jovem chamado Tommy Abdurrahman, javanês, muçulmano.


Pedro Rosa Mendes, Ler, Julho de 2009

Quanto vale um voto?


Angustio-me. A 27 de Setembro, quando Portugal for a votos, na que é, a meu ver, a eleição mais importante da última década (pelo menos) estarei em viagem do Canadá para Portugal. Vou a Montreal apresentar um trabalho num congresso que começa por World (para se julgar da importância do dito) e fazer a viagem na noite de sábado equivaleria a pagar o dobro do preço pelo bilhete. Ora, nem eu, nem a ciência portuguesa nadamos em dinheiro- isto para os eurodeputados e outros que viajam em executiva até pode parecer ridículo. Já fui ao sítio da Comissão de Eleições, mas, pelos vistos, o meu caso não está previsto para voto antecipado. Estaria se eu pertencesse a uma selecção de futebol e estivesse a participar numa competição no estrangeiro. E na minha humildade eu vou representar Portugal. Está bem, é só um voto, mas é o meu voto.

Balanço do último número da Ler

Too light, too silly.

ainda a entrevista de VPV à Ler


Estranho que o nome de Maria Filomena Mónica nunca tenha surgido nem, quando seria muito óbvio, a propósito das biografias do Eça. O mau feitio do Vasco em acordo pré-entrevista?


Deus me perdoe, mas por muito que eu admire os escritos do VPV, as entrevistas que ele dá são um flop. Fico sempre a pensar que o nível de álcool no sangue subiu ao longo da entrevista.

o maior grau de coerência que VPV consegue arranjar

CVM – Apesar de já ter dito e repetido que não tem intenção de escrever as suas próprias memórias.

VPV- Não tenho agora. Não sei se terei depois.


Ler, Julho de 2009

Ainda os cornos



“Outubro de 2006. O debate é sobre o Orçamento e Jaime Gama anuncia que o ministro da Economia, Manuel Pinho, tem a palavra. A reacção das bancadas é imediata: explosão de risos da oposição, tiradas de gozo em voz alta

i, 4 de Julho de 2009


e sim, isto passou-se na assembleia da republica: é muito nível! E ninguém sequer pestaneja. Agora fazer um gesto de cornos...

And now something completely different





da escola do origami: como dobrar um lençol. Fiquei maravilhada, assombrada, deslumbrada ... há homens fantásticos.





visto aqui

3.7.09

O Manguito




Seguia de carro, nas tarefas de fim de tarde, quando comecei a ouvir falar no gesto. E embora tenha corrido todas as estações plausíveis, nunca o pudor dos repórteres, jornalistas, políticos ou fosse quem fosse, lhes permitiu acabar com a minha duvida gesto, que gesto? Como se tivessem medo de proferir a palavra cornos, não os obrigassem a ir pedir desculpas sei lá a quem. Cheguei a casa convencidíssima que o gesto era o tão nosso manguito, o mais digno e apropriado gesto, dadas as circunstâncias. Pelos vistos há quem pense como eu, o que muito me honra.
nota: obviamente eu não acho que os deputados ou os ministros devam fazer gestos feios no parlamento, mas tenho por lá visto cada coisa. E se é para ser feio que o seja. Seguindo a máxima: tudo o que fizer faça-o com estilo.

Catch after catch

Existe
Resvalo
O
único
caminho
da
página
vive
margem-ombros


outro que não eu

Catch*

Larry Clark


Só existe o tempo único
As coisas são
da margem da página
o caminho
o resvalo
A magnólia
vive no horizonte
A exaltação dos teus ombros
Os teus seios
À porta do castelo




*Catch, cada um apanha o que quer, o que pode, o que mais sente. a partir de Robert Duncan, Paul Celan, Luisa Neto Jorge, Thomas Wolfe e Fiama Hasse Pais Brandão.

2.7.09

O amor anda pelas ruas da amargura



Carlos Encarnação afirma que recandidatura à CMC resulta de um “profundo acto de amor”. É que já não há pudor nem decência, que desplante!

A mente, essa coisa

robert frank


Pois a mim aconteceu-me a mesmíssima coisa: entro numa loja, procuro umas sandálias para o meu filho mais novo, escolho, confiro o preço que me parece adequado, dirijo-me à caixa, e a menina, tem um desconto de 25% portanto faz... ora em lado algum se anunciava tal desconto nem eu o pedi. Loja vazia, siga... roupa para os filhos mais velhos, ainda não entrei na loja (vazia) e já me estão a por uma raspadinha na mão, ora eu de raspadinha, raspo, tenho um desconto de 30%. O teenager escolhe uma camisa, vou para a caixa com a camisa e a raspadinha, a teenager pedincha e eu vou na onda, pago tudo convencida que o desconto foi só para a camisa, antes de sair, mais uma raspadinha para a próxima, verifico que tive desconto em todos os produtos. Isto não faz nenhum sentido, uma família como a minha em que não houve alteração de emprego (e felizmente são a maioria) não viu os seus rendimentos diminuídos, por outro lado as prestações das casas, maior fatia de muitos orçamentos familiares, baixaram consideravelmente. Então o que (des)move as pessoas? Tenho para mim que é o medo. O mesmo medo que as faz hesitar em viajar para o Canadá, embora a probabilidade de apanharem a nova gripe e dela terem maiores consequências que duma disenteria tropical seja diminuta. Um medo pouco racional, mas a mente, essa coisa, é poderosa. Claro que tudo isto é economia e psicologia de algibeira, mas ainda havemos de sentir as consequências de toda esta conjuntura mental.