Quem me manda a mim
Mas que saudades tenho da sobriedade, da seriedade, da classe das notícias das 8 da TF1. Ainda temos muito que caminhar.
Cheguei-me per'ela com gran cortezia// disse-lhe "Senhora, quereis companhia?"// Disse-me "Escudeiro segui vossa via."// Gil Vicente
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30 de Janeiro de 2007, Iraque - dezenas de mortos, centenas de feridos em atentados e confrontos entre xiitas e sunitas.
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Etiquetas: Iraque
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A pergunta:
Concorda com a despenalização da Interrupção Voluntária da Gravidez, se realizada, por opção da mulher nas primeiras 10 semanas, em estabelecimento de saúde legalmente autorizado?
Sejamos metódicos:
Concorda com a despenalização da Interrupção Voluntária da Gravidez…
ou vota não porque acha que essas mulheres devem sujeitar-se ao medo de serem descobertas, à humilhação de um julgamento, à prisão até 3 anos?
ou então prefere que o estado de direito que desejamos esteja sujeito à bandalheira de não fazer cumprir as suas leis.
se realizada, por opção da mulher
mas de quem mais poderia ser a opção?
nas primeiras dez semanas
é o limite máximo, menos seria pragmaticamente de menos e iria possivelmente dar na situação que temos agora.
em estabelecimento de saúde legalmente autorizado
ou acha que deveríamos andar a patrocinar abortadeiras clandestinas?
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Também não entendo que se defenda a manutenção de um tipo legal de crime e se não aceite que quem infrinja tal comando etico-juridico seja punido. Sempre fui contra a anomia que destrói as estruturas sociais. As sociedades podem mudar as leis, mas devem sempre aplicá-las enquanto estejam em vigor. Defender que se vote "não" e que se não puna quem pratica abortos é, na minha opinião, contra o Estado de Direito.
Finalmente, quero frisar que todos os que votarão "não" ou "sim", são a favor da vida. Depois de 11 de Fevereiro espero que se mobilizem em conjunto para criar condições cada vez mais favoráveis para que as mulheres não recorram ao aborto. O que implica pedagogia cultural, protecção à mãe solteira, reforço e facilitação das adopções.
Contributo de José Miguel Júdice para o blogue Sim no Referendo.
Creio que é compatível o voto na despenalização e o ser - por pensamentos, palavras e obra - pela cultura da vida em todas as circunstâncias e contra o aborto. O "SIM" à despenalização da interrupção voluntária da gravidez, dentro das dez semanas, é contra o sofrimento das mulheres redobrado com a sua criminalização. Não pode ser confundido com a apologia da cultura da morte, embora haja sempre doidos e doidas para tudo.
Frei Bento Domingues, Público, ontem. Retirado daqui
Nesta magna questão, há níveis diferentes de debate, concretamente o jurídico-penal e o moral. Sem esquecer os aspectos biológicos, o problema moral e as suas raízes filosóficas e religiosas, o que se pergunta é se a mulher que aborta, num determinado quadro legal - se cumprida, a actual lei bastaria -, deve ser penalizada.No seu drama, em lugar de uma punição penal, do que ela precisa sobretudo é de solidariedade. Estão a sociedade e a lei dispostas a apoiar eficazmente a mulher e, concretamente, a grávida?Este apoio tem de traduzir-se em educação, prevenção, aconselhamento, combate à pobreza e exclusão, co-responsabilização do homem, incentivos à família e à natalidade. Também para que despenalização se não confunda com liberalização nem se torne método contraceptivo.
Padre Anselmo Borges no DN de Domingo
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No sorriso louco das mães batem as leves
gotas de chuva. Nas amadas
caras loucas batem e batem
os dedos amarelos das candeias.
Que balouçam. Que são puras.
Gotas e candeias puras. E as mães
aproximam-se soprando os dedos frios.
Seu corpo move-se
pelo meio dos ossos filiais, pelos tendões
e orgãos mergulhados,
e as calmas mães intrínsecas sentam-se
nas cabeças filiais.
Sentam-se, e estão ali num silêncio demorado e apressado,
vendo tudo,
e queimando as imagens, alimentando as imagens,
enquanto o amor é cada vez mais forte.
E bate-lhes nas caras, o amor leve.
O amor feroz.
E as mães são cada vez mais belas.
Pensam os filhos que elas levitam.
Flores violentas batem nas suas pálpebras.
Elas respiram ao alto e em baixo. São
silenciosas.
E a sua cara está no meio das gotas particulares
da chuva,
em volta das candeias. No contínuo
escorrer dos filhos.
As mães são as mais altas coisas
que os filhos criam, porque se colocam
na combustão dos filhos, porque
os filhos estão como invasores dentes-de-leão
no terreno das mães.
E as mães são poços de petróleo nas palavras dos filhos,
e atiram-se, através deles, como jactos
para fora da terra.
E os filhos mergulham em escafandros no interior
de muitas águas,
e trazem as mães como polvos embrulhados nas mãos
e na agudeza de toda a sua vida.
E o filho senta-se com a sua mãe à cabeceira da mesa,
e através dele a mãe mexe aqui e ali,
nas chávenas e nos garfos.
E através da mãe o filho pensa
que nenhuma morte é possível e as águas
estão ligadas entre si
por meio da mão dele que toca a cara louca
da mãe que toca a mão pressentida do filho.
E por dentro do amor, até somente ser possível
amar tudo,
e ser possível tudo ser reencontrado por dentro do amor.
Herberto Hélder
No dia em que faz 14 anos que fui mãe pela primeira vez.
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Havia um corredor muito comprido e eu punha-te no carrinho de bebé e dava-te um empurrão e tu ias corredor fora, bracinhos no ar, a rir e aos gritinhos.
E o pai dizia: bebé lindo, papá lindo, mamã feia…
é ter quem, ano após ano, continua a re(contar-nos) coisas assim.
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ou, o direito ao contraditório
... esteve muito bem ontem Fátima Campos Ferreira no Prós & Contras sobre o caso da criança amada por todos e a sofrer com isso.
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Toda a criança tem direito a uma família.
O inverso pode não se verificar e vem sempre depois.
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Nobuyoshi Araki
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que se continua
que se sobrevive,
sobrevive-se a quase tudo,
e que nunca mais se é a mesma
e que estamos sós, aí e em muito mais.
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Ontem apanhei a parte final de um fórum na RTPN sobre o referendo de Fevereiro. Já só ouvi as últimas palavras do último ouvinte, nada de assinalar, a apresentadora (jornalista?) estava a ficar nervosa, vai ter que terminar estamos em cima da hora. E em cima da hora ainda teve tempo, antes não tivesse, para “pois em Portugal não há suficientes e boas instituições para internar as criancinhas que as mães não querem fazer nascer, mas se houvesse toda esta discussão ainda faria sentido?”*. Perante esta enormidade, a la Ceausescu, a senhora do Sim de que não retive o nome, tibuteou qualquer coisa sem interesse e a senhora do Não, que também não sei quem era, rematou da melhor forma “tantos casais inférteis… se houvesse possibilidade de um acordo pré-nascimento entre uma mãe infértil e essa mãe que não quer ter o filho”*. Direito à vida ou direito a uma coisa que se armazena, que se cede, sobre a qual se estabelecem acordos à margem dos seus interesses???
Com gente assim o Supremo Interesse da Criança está assegurado.
* as palavras não foram estas mas reproduzem fielmente o sentido
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tudo começou com uma história estúpida de sobretudos trocados
no restaurante Rosetta: (e com aquela tua corrida cega, para lá
dos escritórios
da Alitalia, distraída, abstracta):
eh, não há muito que rir, minha querida,
a nossa identidade, as nossas roupas, os sinais particulares, os pontos
de referência, a orientação, o bom senso:
(uma vez mais estamos perdidos
no mundo, cada um como pode: e como merece): (e se te escrevo
do aeroporto
de Capodichino, à partida para Amsterdão, com os voos AZ424 e
AZ382,
é já por pura superstição, ao fim e ao cabo; e não por outra coisa,
realmente, por nada):
Edoardo Sanguineti
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Viajando na blogosfera chego à Fernanda Câncio, que não conheço, e como não encontro caixa de comentários, deixo-lhe aqui o recado que possivelmente não vai ler: quando eu votar sim, e vou votar sim em Fevereiro, vou também votar para que tenha o direito de decidir do seu corpo, que a lei vai ser igual para todas as mulheres, lavadeiras ou jornalistas. Mas para mim é bem claro que não é por si que eu sou pelo sim, a si não a condeno nem a compreendo. E o direito à não compreensão é um direito que também me assiste.
Não voto sim por pena, mas por um sentimento muito mais elevado, por humanidade, pela esperança de que cada vez mais mulheres tenham direito á educação incluindo a educação sexual, ao poder de decisão, a terem filhos quando os desejam.
E faço minhas as palavras do Tomás Vasques, que não conheço, sei lá se é de esquerda ou de direita, quando diz:
A questão de fundo, da qual decorrem todas as outras, é a seguinte: eu não estou preocupado com as mulheres formadas, informadas e com dinheiro que reclamam o direito à disposição do seu corpo, incluindo a IVG. Este é um outro nível de direitos, um outro nível de discussão.
O resto, as guerrinhas e as politiquices, onde é que você estava no 25 de Abril, não me interessa nem um pouco e deixem-se disso se querem um sim vitorioso.
ps mas olhe sr Tomás Vasques aquele seu cartoon foi bem infeliz e quem não quer parecer lobo não lhe veste a pele.
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Perguntem às mulheres, oiçam as mulheres.
Das três vezes que estive grávida, e que soube que o estava por volta das cinco ou seis semanas, nunca senti que dentro de mim tinha um conjunto de células mais ou menos sensíveis ou enervadas, senti, isso sim, que dentro de mim se criava um filho que esperava viesse a nascer como um ser saudável e completo e amei-o desde o início. Por uma vez passei as angústias de se por a hipótese de ter que escolher abortar ou não: esperava os resultados de uma amniocentése, a estatística dizia que tinha um risco de 1 em 270 de vir a ter um filho com síndrome de Down, o que pode parecer um risco ridiculamente pequeno, mas durante os dias de espera se a razão me dizia que se fosse verdade devia abortar, o coração não dizia nada e apertava-se a cada dia. Não o desejo nem ao pior inimigo. Felizmente tudo correu bem.
Mas eu sou uma mulher adulta, informada, com uma relação estável, com um bom suporte familiar.
Percorram o país real e nem vão acreditar no que vêem e no que ouvem. Mulheres que parem como coelhas, que deitam filhos cá para fora, um de cada relação do momento, e que não têm condições para criar, mulheres novas mas tão ignorantes, mulheres que engravidam dum pai ou dum irmão porque lá em casa é assim, mulheres que engravidam de quem as cobre de porrada todos os dias, oiçam um mãe que viu morrer a filha esvaída em sangue de um aborto feito em casa, oiçam as mulheres e não condenem quem não quer ou não pode ser mãe quando a puta da vida lhe foi tão madrasta.
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Na Cozinha com Jamie Oliver.
Está na moda, demasiadas páginas com cordeiro, animalzinho que só gosto de ver nos prados da serra. Trágico que o(a) tradutor(a) não saiba que rosemary não é rosmaninho mas alecrim.
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O Mal de Montano, Enrique Vila-Mattas
As expectativas eram grandes, o livro ganhou uma mão-cheia de prémios, o Luís não se cansou de o referir, mas não se aguenta tanto mal de literatura… todos os dias me castigo com mais dez ou vinte páginas.
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O Monte dos Vendavais, Emily Bronté
Ou melhor, o Alto dos Vendavais, na tradução que me calhou. As expectativas eram grandes, a história conhecia-a de cor, a biografia que li há tempos das irmãs Bronté aguçou o apetite, mas não se aguenta tanta tragédia e grosseria. Fez-me lembrar uma anedota que um professor de português contava acerca do Camilo Castelo Branco em que se dizia que Camilo, pobre, tinha um número limitado de folhas de papel e quando estas estavam a chegar ao fim tinha que começar a matar os personagens um a um. Ai, quem me tira os grandes russos… Cumpri o castigo até ao fim.
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Memorias de mis putas tristes, Gabriel Garcia Marquez
que em castelhano as palavras são mais saborosas. Comovi-me com a tragi-comédia de cada página “Ay mi sabio triste, está bien que estés viejo, pero no pendejo”.
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Duchamp
As relações sexuais são como o bridge, se não se tiver um bom parceiro tem que se ter pelo menos uma boa mão.
Citando de cor Júlio Machado Vaz a citar Woody Allen
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Porque não se deve castigar quem já tanto foi castigado. E quase só por isso … E porque quase todos os argumentos, pelo sim ou pelo não, são quase nada perante isso.
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Por que é que toda a gente tem que ter uma?
Eu por mim continuo fiel à minha maquineta expresso tradicional e ao lote Mussulo da Delta que compro em qualquer supermercado. Cada um tem o café que merece.
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