Showing posts with label literatura. Show all posts
Showing posts with label literatura. Show all posts

3.9.08

Literatura Infantil



Durante as férias li mais um livro, um pequeno conto, do Gabriel Garcia Marquez, com ilustrações muito bonitas, editado pela D. Quixote. Já tinha lido outras histórias desta colecção, desta vez “A sesta de Terça-Feira” um conto sobre o amor de mãe.
Vejo na lista dos livros publicados outro título “Maria dos Prazeres” e fico a pensar que será a mesma história que vi adaptada no Caruma e que contei aqui. É efectivamente: Garcia Marquez narra a história de uma velha puta de Manaus que “trabalhou” toda a vida em Barcelona e que, velha de mais de 70 anos, a cause de um “prenúncio de morte” se prepara para que quando isso acontecer alguém chore por ela. A história é bonita e comovente, contada como Gabriel Garcia Marquez o sabe fazer mas, o que interessa para aqui, é que encontrei o volume numa estante da biblioteca infantil da Casa da Cultura de Coimbra. Se tem ilustrações é para crianças...

8.7.08

O velho Doutor Jaime

O velho Doutor Jaime, médico muito sábio, tratou-me quando ele já tinha mais de 90 anos e eu enfrentava as crises da adolescência. Era um homem muito grande e habitava uma mansão de outros séculos, rodeada de velhas árvores e de um imponente muro de pedra. E, como era comum aos médicos de antanho, tinha consultório no rés-do-chão da própria casa. Apesar de abastado, fazia uma vida simples, contava ele ter feito as últimas férias em 1950 e qualquer coisa (ou outro ano qualquer, que para o caso não interessa) e acrescentava "não gostei, uma canseira de malas e hotéis". Assim, passava os meses de Junho a Setembro, enfronhado na biblioteca da casa, fresca e confortável, e atendendo os padecentes que lhe batiam à porta. Por retirado não estava menos informado das coisas do mundo e sobretudo da medicina. O que não lia em jornais - para quê se só trazem desgraças- sobrava-lhe em literatura, e lia o The Lancet de fio a pavio. Eu visitava-o muitas vezes, cheia de maleitas que não eram mais que angustias juvenis e ele, depois de me pôr a par das ultimas do The Lancet, acabava a consulta com “e não leias coisas complicadas, minha filha, lê Júlio Dinis, lê Júlio Dinis”.

16.2.08

O vinho e a literatura, duas magníficas coisas

Bernard Pivot, intelectual, divulgador cultural (Bouillon de Culture etc.) e escritor francês, conta na Visão desta semana, histórias de vinho e de livros e a certa altura recorda histórias de encontros com escritores que, simultaneamente, foram grandes bebedores:


“O caso mais evidente foi o de Bukowsky, que bebeu duas garrafas durante a emissão e se foi embora a meio para ir à casa de banho, depois de tentar tocar nas coxas da senhora ao lado. Estava insuportável! Um episódio divertido foi o de Nabokov. Disse-me que beberia uísque durante o programa, mas não queria dar maus exemplos. Eu que deitasse o uísque num bule e lhe perguntasse se queria chá. Assim fiz.”

14.12.07

Fernanda Botelho

Tenho quase a certeza absoluta de que nunca li uma obra de Fernanda Botelho, talvez tenha lido alguns excertos nas antologias de português do secundário que durante anos a fio devorei. Durante muito tempo o título “Esta Noite Sonhei com Brueghel” fez parte dos meus sonhos, não sei porquê. Acontece-me fixar-me obsessivamente num conjunto de palavras, mesmo que às vezes nem lhe perceba o sentido, desde muito pequena que sou assim. Não me recordava sequer da figura da Fernanda Botelho, vejo-a agora, distinta e elegante. Condizendo com a beleza sensível e triste deste excerto que encontrei no Portugal dos Pequeninos:

“Tudo à minha volta assume um cariz gerôntico. Estou a viver como uma espécie em vias de rápida extinção, ao lado da minha irmã, também ela invadida pela poeira branca do tempo, a esboroar-se rapidamente (...) Que torturada morte é esta ainda estúpida vida?"

5.12.07

Jane Eyre

Acabei de ler “Jane Eyre” cuja história já conhecia de uma série de televisão. No ano passado li uma biografia fascinante das irmãs Brontë e pus na minha lista os livros da Emily e da Charlotte. No entretanto também li alguma coisa de Jane Austen. Comparando as três, a Jane Austen e a Emily são umas meninas ao pé de Charlotte. Charlotte é uma grande, grande romancista, caracterizadora perfeita do que de mais fundo existe em cada ser humano.

18.11.07

O livro 1000 000



via Da literatura

Ainda ontem dizia a uma amiga, não portuguesa, exactamente isso, o Memorial do Convento, o primeiro livro que li de José Saramago, não é fácil de ler. Li-o quando saiu e apesar de não ter voltado a ele ainda me lembro de passagens completas, nomeadamente do início. Mas também me lembro que li o início uma série de vezes antes de conseguir passar às páginas seguintes, custou-me entrar na escrita Saramago. Será que o milhão de exemplares foi efectivamente lido por quem os comprou?
È de longe a minha obra preferida e até nem gosto de muitos mais, por exemplo não li até ao fim a “Jangada de Pedra”.
No outro dia ouvi José Saramago dizer que o Memorial do Convento está traduzido em mais de 50 idiomas e que estranha como é que, por exemplo, aos orientais, lhes pode interessar um livro que relata uma cultura que lhes é tão estranha e que decorre numa época que ainda lhes há-de ser mais estranha. Deve ser a atracção pelo “esplendor barroco”, oxalá que sim.



6.9.07

O que muda ou não muda na nossa vida

À falta de melhor , e a Silly Season que nunca mais termina, tenho andado os últimos dias entretida com o meme dos livros que não mudam vidas. Tenho espremido os meus miolos, tenho questionado à esquerda e à direita (sem conotações políticas), mas sem resultado. Como é que das centenas de livros, que um gajo adulto e moderadamente letrado leu, lhe vem logo à cabeça A Náusea ou Em Busca do Tempo Perdido como livros que não mudaram a sua vida? Como sou fraca de memória pasmei diante da minha estante, que passe a imodéstia não é assim tão pequena, percorri os livros um a um e não fui capaz de dizer, este mudou a minha vida. Não sou tão sintética como o Vasco da Memória Inventada nas causas que mudam a vida de um gajo, de certeza que também sou os livros que li, que leio, mas dizer, foi este, este não foi de certeza, parecem-me certezas a mais. Também não vou dizer que os autores dessas listas se estão a armar, não é razão para tanto… Acabo por chegar à Silly Season.


PS O S. fez uma lista dos livros que mudaram a vida dele, encabeçada pelo livro de cheques, seguida do livro de ponto e dos livros de termos.

Neste momento o Guerra e Paz está a modificar bastante a minha vida porque não me deixa fazer mais nada, não fora o dever de dar de comer às minhas criancinhas nem para comer pararia. Aconteceu-me o mesmo com muitos outros livros.