31.10.08

Das tradições

Hoje, ao anoitecer, as crianças de Coimbra cantarão menos, muito menos, os bolinhos e bolinhós para mim e para vós para dar aos finados que estão mortos e enterrados... dos seus pais e avós. Em vez disso irão aos centros comerciais festejar o Halloween.

Histórias de papel higiénico


Passámos por algo de semelhante e do qual já só têm memória alguns de nós, em Portugal até 1974 não havia quase nada. No leste o mesmo, mas elevado à enésima potência, e de como o facto era encarado com orgulho e levantado como bandeira por alguns, muitos, é preciso é acreditar. Veja-se o maravilhoso filme "Good bye Lenine" de Wolfgang Becker.
Alguns anos depois da Perestroika um meu amigo russo enaltecia a gastronomia da sua terra. Mas, surpreendentemente, todas as receitas tinham na base batata, muita batata. Aliás ele, reputado cientista, passava parte dos seus tempos livres a semear e depois a colher as batatas do sogro. Depois emigrou para o Japão.



Na minha lista a ler:

Como Sobrevivemos ao Comunismo Sem Perder o Sentido de Humor, Slavenka Drakulić

Gonçalo M. Tavares


Na Visão (da semana passada, sorry) uma notável conversa* de Gonçalo M. Tavares e António Lobo Antunes, onde o primeiro se revela em toda a sua inteligência e o segundo muito mais humilde e humano do que nos tem habituado. Se não leram vão procurá-la e leiam com atenção. Lamentavelmente nunca li nada de Gonçalo M. Tavares, apenas crónicas escritas aqui e ali. Tantos livros tão pouco tempo, ele que levou dez anos a decidir publicá-los, levarei eu outros tantos a começar a lê-los?


*que deveria ser lida de manhã e ao deitar por José Rodrigues dos Santos e outros auto-denominados -escritores.

A espuma dos dias



estava este humilde blog no recato da visita de dois ou três amigos diários, tudo gente de juntinho ao coração, quando subitamente a devassa acontece. E o blog estremece, mas não tarda a recompor-se que a glória é efémera.

29.10.08

de solidariedade

27.10.08

Ele há plágios e plágios

E quantos clássicos não são pastiche de outros clássicos?

Sem perderem um grão de qualidade ou de novidade - é o princípio de Lavoisier.

24.10.08

de luz



Caravaggio

Homens e Mulheres

A Suiça:

A(homem) e B(mulher) são investigadores num instituto de investigação suíço, país onde quase toda a gente ganha muitíssimo bem. Têm contratos de trabalho idênticos e recebem o mesmo salário. Em 2008 A casa com B. Logo no primeiro recibo de vencimento após casar A verifica que passou a ganhar bastante mais enquanto que B verifica exactamente o oposto, o seu ordenado diminuiu substancialmente. Porquê? A agora é um homem casado, chefe de família, as suas responsabilidades aumentaram, os seus impostos diminuíram; por outro lado B já tem quem cuide dela e, por isso, decide a justiça social suiça reduzir-lhe os rendimentos aumentando-lhe os impostos.

Especialistas Nacionais

A prosápia do JRS veio recordar-me este acontecimento de sábado passado: participava eu numa conferência quando alguém me perguntou se a sigla BBB (blood-brain-barrier) se utilizava. Eu disse que sim, que nas publicações científicas da minha área aparecia frequentemente com essa forma. Ao que uma senhora da audiência, em tom ligeiramente indignado replicou, eu sou clínica e sou A ESPECIALISTA NACIONAL em doença de Alzheimer e nunca vi a barreira hemato encefálica assim designada. Lamento profundamente não lhe ter perguntado o nome, mas ficou-me a dúvida sobre o modo como é que ela adquiriu tanta especialidade nessa doença. A minha mãe teve uma professora de liceu que era especialista em meningite e que afirmava com autoridade “quem tem meningite ou morre ou fica louco; eu sei porque tive”.

José Rodrigues dos Santos enquanto espera pelo Nobel

«Tivemos de baixar o nível de exigência do texto de modo a que ele fosse mais bem compreendido pelos leitores americanos.»


no Terceira Noite e Bibliotecário de Babel

22.10.08

à atenção dos Serviços de Limpeza da Câmara Municipal de Coimbra


Não sou uma ecologista militante, vou sendo. Nunca me hão-de ver a por garrafas dentro do autoclismo para diminuir as descargas, por mim até as aumentava, principalmente depois dos homens da casa terem utilizado o WC. Por outro lado tomo rápidos banhos de chuveiro, não tenho outro remédio, e fecho a torneira enquanto lavo os dentes. Também me vou habituando às lâmpadas economizadoras e desligo-as quando não são necessárias. Separo o lixo, pese embora acreditar pouco na reciclagem daquilo que pomos no plasticão. Uma regra que desde há bastante tempo cumpria com gosto era a de levar os sacos reutilizáveis nas idas às compras, nunca aceitar os saquitos miseráveis das farmácias, tabacarias e lojas de coisas pequenas (esses não têm reutilização possível), nem autorizar que colocassem o saco de papel do pão dentro de um saco de plástico. Até há bem pouco retirava, não sem algum orgulho, o meu saco de pano de estimação, meticulosamente dobrado, de dentro da carteira sempre que a situação o exigia. Essa era eu na era pré-Dakar. Outra sou eu hoje, olhar guloso sempre que vislumbro a possibilidade de recolher mais dois ou três sacos de supermercado. No meu bairro existe um depósito de sacos para cocó de cão, mas nunca vezes nunca lá vi um saquito e o Dakar precisa de pelo menos 3 sacos ao dia. Mais ecológico seria deixar aquilo no passeio?

desculpem a conversa de caca

Da praxe




Não sou contra nem a favor, em sentido lato, essa luta já não é a minha. No meu tempo tinha há muito acabado o fervor de 69, vivia-se em democracia e o uso da capa instalava-se lentamente, embora às vezes não muito tranquilamente. Usei-a durante um época por oposição e deixei de a usar pelo mesmo motivo. Lamento profundamente a falta de imaginação que grassa e mais ainda a imbecilidade justiceira dos alunos do segundo ano, humilharam-me a mim, chegou agora a minha vez... mas já assisti a coisas engraçadas e gosto do ambiente de festa que às vezes se instala.
As raparigas das “Marias do Loureiro”, a minha República de estudante, são profundamente contra e eu não as apoio nessa intransigência, mas vão fazer festa e isso é o que conta. Boa festa.

20.10.08

Das tormentas


No sábado fui a Lisboa ver o dilúvio. Cheguei pela hora de almoço à Gulbenkian, the weather is fine the sky is blue, os lagos, os patos, gentes meditantes, zen que mais zen não podia ser. Um pouco depois o dilúvio, no sítio onde me encontrava choveram pedras de gelo durante quase 55 minutos, umas teriam 1 cm de diâmetro mas houve quem as visse de muito maior tamanho. Mais ao lado no jardim zoológico as chuvas alagaram o reptário e as pitons ameaçaram abandonar o lar. Na Praça de Espanha, Noé, a bordo do seu BMW, vogava tranquilamente, apenas com o cuidado de não deixar passar a hora de largar o casal de pombos, enquanto isso transeuntes histéricos insultavam polícias histéricos e automobilistas histéricos galgavam passeios aumentando a confusão. Parece que os carros de alta cilindrada foram especialmente atingidos o que não pode deixar de ter algum significado. E as pessoas, são as ribeiras, são as ribeiras, oh como são básicos estes lisboetas, porque é óbvio, até para mim, que se tratou de um sinal dos céus para MFL*, mulher incauta, vê se é o que desejas para esta terra...
E isto é fado,
Há dois anos passeava com a família pelas ramblas de Barcelona, the weather is fine the sky is blue, num ameno dia de verão. Levávamos as cabeças leves e os corpos flutuantes de tanta cerveja que tínhamos bebido no Paseo da Gracia acompanhando las mas esquesitas tapas. Continuávamos para as frutas do mercado de la Boqueria quando o céu se fez negro, negro como breu, e a mais terrível tempestade se abateu sobre Barcelona. E as pessoas gritavam, há 3 meses que não chovia, outros, mais exagerados, há 6 meses que não chovia, nós a conseguirmos alcançar o carro, as ruas transformadas numa só pela força das águas. E de carro nos perdemos pelas saídas subitamente todas iguais, é por aqui, não, é por aqui.
mas nesse dia de Agosto não fui capaz de compreender qual era a mensagem dos céus.






*a não perder Nuno Brederode Santos

17.10.08

Dardos?



Não percebi nada, ou quase nada, deste prémio e apesar da distinção da Joana me lisonjear não sei que pense de me ver em tão prestimosa companhia.


«reconhecer os valores que cada blogueiro mostra a cada dia, seu empenho por transmitir valores culturais, éticos, literários, pessoais, etc. em suma, demonstram sua criatividade através do pensamento vivo que está e permanece intacto entre suas letras, entre suas palavras…».





Eu por mim, como sou não alinhada e associal, passo ao Luís (com quem raramente concordo) e ao Luís, e ao Luís, e ao Luís e ao FNV (desde que não fale de futebol) e ao Luís (de quem quase sempre discordo) e ao Luís ... até perfazer 15 votos.



16.10.08

my family


Pyzam Family Sticker Toy

via Eva




15.10.08

amar assim

Cantar? Longamente cantar,
Uma mulher com quem beber e morrer.
Quando fora se abrir o instinto da noite e uma ave
o atravessar trespassada por um grito marítimo
e o pão for invadido pelas ondas,
seu corpo arderá mansamente sob os meus olhos palpitantes
ele - imagem inacessível e casta de um certo pensamento
de alegria e de impudor.






Herberto Helder in "O amor em visita"

12.10.08

Do casamento e do género


Se este debate* sobre o casamento entre pessoas do mesmo sexo se integrasse num debate generalizado sobre os direitos (e o respeito) de minorias, das étnicas, às religiosas, às culturais, faria todo o sentido e nem sequer se discutiria a sua oportunidade. Mas, longe disso, este é um debate sobre uma minoria de gente bonita, que não cheira mal, nem dorme na rua e que sobretudo tem voz e consegue fazer ouvir essa voz. E por isso é uma causa minoritária e por isso sempre me irritou a colagem do BE a esta causa, fazendo dela bandeira.
E longe de mim distinguir as pessoas pela sua sexualidade.
Se o casamento deve perder a carga que a nossa civilização lhe imprimiu, então devemos estendê-lo a quaisquer duas ou mais pessoas do mesmo sexo que se amem ou não (quem vai avaliar o amor?), sejam homo ou heterossexuais, que tenham ou não actividade sexual entre elas ou que decidam até manter-se castas toda a vida (quem é que se vai imiscuir no que de mais privado há nas nossas vidas?), à poligamia, a toda uma comunidade de um mosteiro... onde é que se deve colocar o limite?



na sexta-feira, um, senhor pouco inteligente (estava a fazer outra coisa ao mesmo tempo e por isso não percebi quem era), afirmava mais ou menos isto: a nossa lei não permite o casamento de deficientes mentais e de homossexuais, portanto perante a lei portuguesa homossexuais e deficientes mentais equivalem-se. Senhor pouco inteligente, não é com essas falácias que dignifica a sua causa, as únicas pessoas a quem chega são aquelas que pensam exactamente isso, que a homossexualidade é qualquer coisa de patológico.


*bem diferente do que se realizou em torno da despenalização do aborto, esse sim, uma conquista civilizacional que só pecou oelo atraso.

miasmas


Desculpe-me mais uma vez, a Ana está no seu direito de desprezar metade da humanidade, das donas de casa de Massamá, aos reformados e aos professores, mas não escreva que os foruns “dão voz aos que não trabalham ou trabalham pouco”, porque está automaticamente a incluir-se nessa categoria, na medida em que, pelos vistos, tem tempo para os seguir com atenção. Diga lá, e só não intervém porque não lhe agrada a companhia, ou não é assim?
Ai que eu sou mesmo básica, já mo tinham dito.

9.10.08

Linda


a campanha publicitária deste Outono da Dolce & Gabbana. No aeroporto de Malpensa havia uns painéis enormes apresentando a série completa, só por isso já valeu a pena ter feito lá escala. Os meus filhos teenagers têm opinião diversa, oh mãe quem é que poderia vestir estas roupas?

Paris é uma festa



De todos eles, vindos de diferentes tempos, um daqueles que se afigura como mais atraente e fecundo para pessoas da minha geração, ou próximas dela, talvez seja o de certos cafés da Paris do pós-guerra, narrados e reinventados em inúmeros filmes e romances, ou pelas descrições de espectadores em trânsito como Antony Beevor (Paris after the Liberation: 1944 -1949, já traduzido), Stanley Karnow (Paris in the Fifties) ou James Campbell (Paris Interzone. Richard Wright, Lolita, Boris Vian and others on the Left Bank 1946-1960). Nos quais a ressaca dos anos beligerantes de pólvora e morte, da desconfiança perante todos os olhares, dos futuros sitiados, parecia abrir espaço para todos os possíveis mais impossíveis, incluindo-se nestes o desfrute do excesso. O fragor nocturno/diurno das conversas cruzadas, o fumo dos cigarros consumidos até ao fim em ambientes fechados, os aromas da pastelaria fina, das bebidas alcoólicas, da roupa das mulheres, da tinta no papel: tudo parecia evocar um início de mundo.



é verdade, e é o que tanto me atrai, por exemplo nos diários da Simone de Beauvoir. Lembro-me da excitação que senti a primeira vez que entrei no Deux-Magots, tipo, foi aqui...

Outro registo que me encanta, é o de Hemingway, entre as duas guerras, no que foi traduzido para português “Paris é uma Festa”, a boémia, as tertúlias, a dolce vita mesmo quando não tinham dinheiro para comer, o prazer (a necessidade) de viajar...

Mas descubro agora no prefácio da edição americana: escreve Hemingway "this book may be regarded as fiction. But there is always the chance that such a book of fiction may throw some light on what has been written as fact."

O Nobel


O Paulo Alves Guerra, esta manhã, viu-se em papos de aranha com o António Lobo Antunes. Só ouvi parte da entrevista, mas foi a sensação com que fiquei. O Lobo Antunes é insuportável, incongruente, justifica a máxima de que todos os psiquiatras (pior ainda se ex-psiquiatras) são malucos, eu se fora psiquiatra internava-o imediatamente. Por outro lado, disse coisas com sentido quando falou do peso do Nobel, pode soar a despeito de quem nunca o conseguiu mas, interroga-se ele, porquê o Nobel, há outros prémios tão ou mais importantes do que esse, concordo, e a cada ano cada vez mais. E disse mais, eu não preciso de prémios, preciso de tempo para escrever, compreendo-o, o ganhador do Nobel da literatura, julgo eu, a partir desse momento deve ter que comportar-se como a Miss Portugal, ou a Miss Universo, durante um período mais ou menos longo será apenas o Nobel pavoneando-se pelo mundo, a servir de atracção dos melhores eventos, a mulher barbada do circo. Depois ainda um disparate, e esse é mesmo despeito, não estamos no sec XIX quando coexistiam dezenas (? cito de cor, terá dito centenas?) de génios literários, hoje contam-se pelos dedos de uma mão com poucos dedos. Parece tolo, não parece? Parece despeito, do sec XIX posso falar, esses mortos e enterrados já não me fazem sombra.

8.10.08

kalispera




Maria João Pires, Sempre

7.10.08

Casemo-nos*


Terçamos armas, esgrimimos argumentos acerados, invocamos a luta contra escravatura… porque uns quantos milhares de pessoas se querem casar e não podem? A solução seria óbvia: deixem-nos casar com quem nos apetece: uns com os outros, uns contra os outros, à molhada, etc. Mas aí o Governo ficaria sem bois de piranha; sem os bovinos débeis e sacrificáveis com que as piranhas se banqueteiam, enquanto o restante rebanho atravessa o rio em segurança.O pior é que nós nem temos “rebanho”. Estas causas – e os seus activistas – são usados apenas para que o país dê a impressão de se mover, para que a turba adormeça com a ilusão de estar a exercer os seus direitos de cidadania, sem que na realidade nada aconteça. Uma espécie de futebol da intervenção cívica, um assunto para discutir apaixonadamente enquanto as decisões cruciais são (ou não) tomadas às escuras. O PS afasta o tema. O Bloco aviva o debate. O PSD sossega os seus eleitores. O PP anuncia o fim da civilização. E assim se entretêm nos seus jogos florais, a caminho do abismo.A orquestra do Titanic está animada e a pista de dança repleta; ninguém quer saber quanta água é que o navio está a meter.


a seguir o Luís Rainha com muita atenção, não podia estar mais de acordo.


e mais

*e assim encerro este assunto sem sequer o ter começado.

assim são os gregos (epílogo)

eu gosto muito da Grécia.

assim são os gregos (II)


Domingo, aeroporto de Atenas, controlo de passaportes, o fiscal (?) exclama surpreendido “portuguese!”, como se a minha origem fosse a micronesia ou a ilha de Páscoa, e começa à procura do visto quando a colega lhe dá uma cotovelada, é da união europeia, imbecil.

assim são os gregos (I)


Sábado, quase meia noite, Praça Syntagma, dezenas de taxis parados, centenas de transeuntes a caminho da noite. Infelizmente a minha noite tem que acabar ali porque no dia seguinte voo muito cedo para Portugal. Preciso de um taxi que me leve ao hotel que fica a uns dois quilómetros de distância. Um após outro todos os taxistas se recusam transportar-me e não que eu tenha um aspecto sujo, violento ou embriagado, acabei de jantar num sítio civilizadíssimo. Uns dizem que não mal os informo do destino, demasiado perto, pouco lucro, outros recusam-se quando lhes pergunto, how much, não que os taxis não possuam taxímetro, não que as taxas a aplicar não estejam regulamentadas. Desespero, não me apetece nada fazer sozinha e cansada as ruas escuras pejadas de toxicodependentes a caminho do hotel. Em Portugal chamaria a polícia, apresentaria queixa... finalmente um acede a levar-me ao hotel e a ligar o taxímetro, pelo caminho pergunto-lhe se está disposto a levar-me no dia seguinte ao aeroporto, how much, 20 euros, good, no hotel tinham-me dito 35, 20 euros sete da manhã, porta do hotel Ok? Ok! Domingo, sete da manhã, nada, sete e dez, nada, vou perder o avião, arrasto a mala umas ruas abaixo, um taxi parado, airport? 25 euros, good!

assim são os gregos


Sexta-feira, 11 da manhã, estamos na esplanada de um high tech e sofisticado bar da Plaka, o bar em branco e prateado cheira a novo, tenho a certeza que há 2 anos, quando estive pela última vez em Atenas, não existia. O serviço é impecável, os copos, chávenas e demais utensílios último design. Entra um padre ortodoxo, velho e vestido a rigor. O meu companheiro de mesa exclama “os tempos mudam, quando é que se podia imaginar um padre ortodoxo a entrar num local destes?”. Falou antes do tempo. O padre deu tempo ao tempo, passeou-se de um lado para o outro do balcão, os empregados em reverencial espera, retirou de algures uns paramentos que colocou aos ombros, mais um livro de orações, e durante uns bons quinze minutos, recitou uma ladainha interminável, acompanhada de largos gestos de benzedura. assim são os gregos.

Intervalo

Three Swedish switched witches watch three Swiss Swatch watch switches. Which Swedish switched witch watch which Swiss Swatch watch witch?

e eu até nem morro de simpatia pela dita senhora, menos por este senhor mas:


“Manuela Ferreira Leite pode ter sido inábil.
Foi politicamente incorrecta.
Mas os que se riram dela fizeram uma lamentável demonstração de boçalidade”


José António Saraiva, na “Tabu”



6.10.08

da música

Durante muitos anos cantei num coro e de cada vez que interpretávamos uma ave-maria, um sanctus, o ave verum corpus, um magnificat ou alleluia, sentia, no mais fundo de mim, o dito popular “cantar é rezar duas vezes”, qualquer coisa de muito profundo e essencial que me apaziguava a alma e me reconciliava com a vida. O mesmo quando entro e me sento numa das grandes catedrais góticas, o mesmo quando li a Alexandra.

2.10.08

Em tempo de crise


foto recebida por email



pois fiquem com o polvo que eu vou ali até à "beautiful and sunny Athens" (paleio para nórdicos) encher-me das belíssimas saladas, feta, iogurte, e azeitonas, muitas azeitonas. até já.