30.5.08

Um muito sábio “reaccionário minhoto”

“O facto é que os homens não fortalecem o seu carácter colocando-se sempre do lado dos vencedores. Há uma estranha serenidade que só se adquire nas derrotas e, algumas vezes, na reclusão que deve suceder às humilhações.”

Dr. António Sousa Homem



via A origem das espécies

28.5.08

Histórias com livros

Lidas hoje, fantásticas, uma aqui e outra aqui.

Spames e publicidade não desejada


Todos os dias recebo quilos de spam através do meu email da universidade, viagra escrito das mais variadas formas para enganar os filtros, enlarge your pennis como se eu tivesse disso, oferta de licenciaturas, doutoramentos, etc. Já me habituei a este incómodo embora seja realmente um incómodo, ao fim de semana posso receber mais de 100 emails e nem todos vão directamente para o trash. Obviamente nunca abro essas mensagens, só lhes conheço o assunto. Na caixa de correio de casa o filtro autocolante consegue livrar-nos eficientemente da publicidade não endereçada, mas ainda sobram os bancos mais e os bancos menos e os cofidis, e nestes eu se pudesse vomitava-lhes em cima, já que constituem a forma mais sórdida e actual do conto do vigário. Mas de há uns dias para cá tenho recebido uns emails que me encantam, sabe-se lá porquê. Ou melhor sei, não sei a que vêm, mas pelo menos não me tentam aliciar. No rectângulo de assunto rezam assim: you look really stupid.

27.5.08

CS light

Adiemus



Destas meninas dei notícia quando passaram cá por Coimbra e quando o “dá Deus nozes a quem não tem dentes” se aplicou com toda a propriedade. Este projecto Adiemus é impressionante e vale a pena procurar outros videos no youtube.

Não há purgatório para estes velhos

Ontem no centro de saúde um bando de mulheres cinzentas falava dos mortos que se lhes morreram em casa, os doidos, os acamados, os avcs e os amputados dos diabetes. Aquelas mulheres sem piedade coincidindo na fila da “caixa”, coincidiam também na divisão dos seus mortos por duas categorias apenas: os estafermos “mas já lá está”, os santos, “Deus o(a) tenha num bom lugar” ou “que Deus o(a) tenha perto de Si”.

Heidegger em português de Portugal

Na antena 2 falava-se da obra de Heidegger editada em português, a investigadora da Universidade de Évora especialista em Heidegger arrepia-se com as obras editadas em português do Brasil. Não entendi, pelo decorrer da conversa, se a senhora se referia à fraca qualidade das edições brasileiras ou se entende que o português do Brasil não tem a dignidade exigida pelo filósofo fenomenologista.

26.5.08

Ou sim ou sopas



ou não me ocorre nada,
ou não me ocorre nada.

25.5.08

Uma perguntinha

Perante toda esta discussão em torno do petróleo uma pergunta se impõe, como foi que Portugal viu destruída uma grande parte da sua rede ferroviária e a diminuição de tráfego em quase todos os percursos, sendo o comboio o meio mais eficiente e seguro de transporte? Que falta de visão dos sucessivos governos. Que poder o dos lobbies dos transportes rodoviários.

23.5.08

Estranhas coisas acontecem



nos últimos três anos caíram doze mil (!) azulejos do Pavilhão Centro de Portugal, instalado no Parque Verde do Mondego em Coimbra. *




*será por isso que as exposições têm tão poucos visitantes, medo de levar com um azulejo viúva lamego?

Meus filhos


E vós, oh filhos meus, excomungai a vossa mãe desgraçada. Que nunca rezou por vós em dias de exames (vulgo provas de aferição), que não reconheceu a pesada responsabilidade que recaía sobre os vossos ombros, sobre os vossos cérebros, sobre os vossos braços de criança, que não vos preparou um pequeno almoço melhorado nesses dias, que não vos esperou à saída da escola roendo as unhas e gastando as pedras da calçada, que quase se esqueceu de vos perguntar se tinha corrido bem a prova, que não se recorda das vossas classificações ou sequer se foram classificados.

As bolandas em que anda esta Virgem




A romaria da “Virgem del Rocio” ocorre no Domingo de Pentecostes em Almonte, uma aldeia de Huelva (Andaluzia), e está ligada a esta lenda:

“Entrado el siglo XV de la Encarnación del Verbo Eterno, un hombre que, o apacentaba ganado o había salido a cazar, hallándose en el término de la Villa de Almonte, en el sitio llamado de La Rocina (cuyas incultas malezas le hacían impracticables a humanas plantas y sólo accesible a las aves y silvestres fieras), advirtió en la vehemencia del ladrido de los perros, que se ocultaba en aquella selva alguna cosa que les movía a aquellas expresiones de su natural instinto. Penetró aunque a costa de no pocos trabajos, y, en medio de las espinas, halló la imagen de aquel sagrado lirio intacto de las espinas del pecado, vio entre las zarzas el simulacro de aquella Zarza Mística ilesa en medio de los ardores del original delito; miró una Imagen de la Reina de los Ángeles de estatura natural, colocada sobre el tronco de un árbol. Era de talla y su belleza peregrina. Vestíase de una túnica de lino entre blanco y verde, y era su portentosa hermosura atractivo aún para la imaginación más libertina.

Hallazgo tan precioso como no esperado, llenó al hombre de un gozo sobre toda ponderación, y, queriendo hacer a todos patente tanta dicha, a costa de sus afanes, desmontado parte de aquel cerrado bosque, sacó en sus hombros la soberana imagen a campo descubierto. Pero como fuese su intención colocar en la villa de Almonte, distante tres leguas de aquel sitio, el bello simulacro, siguiendo en sus intentos piadosos, se quedó dormido a esfuerzo de su cansancio y su fatiga. Despertó y se halló sin la sagrada imagen, penetrado de dolor, volvió al sitio donde la vio primero, y allí la encontró como antes. Vino a Almonte y refirió todo lo sucedido con la cual noticia salieron el clero y el cabildo de esta villa y hallaron la santa imagen en el lugar y modo que el hombre les había referido, notando ilesa su belleza, no obstante el largo tiempo que había estado expuesta a la inclemencia de los tiempos, lluvias, rayos de sol y tempestades.

Poseídos de la devoción y el respeto, la sacaron entre las malezas y la pusieron en la iglesia mayor de dicha villa, entre tanto que en aquella selva se le labraba templo. Hízose, en efecto, una pequeña ermita de diez varas de largo, y se construyó el altar para colocar la imagen, de tal modo que el tronco en que fue hallada le sirviese de peana. Aforándose aquel sitio con el nombre de la Virgen de Las Rocinas."


in Reglas de la Hermandad Matriz de 1758


18.5.08

Sociedade de Consumo


Para mim e para Babette, a maciça variedade das compras, a simples plenitude sugerida por aqueles sacos cheios, o peso, o tamanho e o número, os pacotes de tamanho familiar e letras de cores vivas, os tamanhos gigantes, as pechinchas de família cobertas de selos; a sensação de aprovisionamento que sentíamos; a sensação de bem-estar; a segurança e o contentamento conferidos por aqueles produtos todos, levados para um lar aconchegado nas nossas almas; tudo isso fazia com que me parecesse que tínhamos atingido a plenitude do ser, que é desconhecida das pessoas com necessidades menores, com menores expectativas, que se limitam a planear as respectivas vidas em torno de solitários passeios pelo parque, à tardinha.

“Ruído Branco” Don Delilo, Editorial Presença

15.5.08

Não sei, não sou de letras, sou de direito, tenho desculpa



Esta foi a resposta que uma estudante (de direito) deu a uma jornalista que lhe perguntava sobre o Maio de 68. Seria para rir não fosse tão comum este tipo de atitude. Há uns anos frequentei um curso livre de História de Arte promovido pela Faculdade de Letras da UC. Numa das sessões uma conhecida admira-se "mas que fazes tu aqui, tu não és de Química?". Pois eu não só era-de-química, como não era-professora-do secundário, e portanto não podia arrecadar os créditos que os professores coleccionavam à época, que faria eu ali?

Esta fez-me lembrar outra pérola vinda também de uma professora de liceu. Estava eu a falar dos livros dos meus filhos quando oiço "mas tu compras-lhes livros? mas se eles ainda não sabem ler...".


Depois admiram-se, e os jovens é que são incultos.

Ladies and gentlemen, It’s my pleasure to announce:

fotografia da Alexandra

Nini, a gata vadia.

13.5.08

do eduquês


em cada português um pedagogo. O que a maioria dos “pedagogos” não sabe, e sabe quem por lá anda ou andou, é que raramente um aluno do ensino básico tira alguma vantagem de ficar retido; a não ser que a retenção derive de qualquer acontecimento que tenha sido ultrapassado, como ter estado doente, o divórcio dos pais, etc. Mantendo-se tudo na mesma, o aluno vai continuar ma mesma. Não vai aprender mais, não vai querer aprender mais. Vai passar o ano a clamar que a profe do ano passado é que era fixe, que aquilo não tem interesse porque já aprendeu no ano anterior, que a profe do ano passado ensinou de outra maneira (e obviamente da maneira correcta). Por tudo isso e porque também é, geralmente, um miúdo mais velho que os colegas, e na adolescência um ano faz diferença, vai ser sempre um factor de instabilidade na turma. Continuando tudo na mesma o aluno retido irá acabar por passar de ano, por cansaço, por diminuição das expectativas, porque não poderá ser indefinidamente retido. Como a exclusão da escolaridade não é solução para ninguém há que encarar outros projectos e outros apoios para esses adolescentes “difíceis”. Sem facilitismos.

12.5.08

Yoani Sánchez uma Grande Mulher

Como si fuera poco, ayer me han dado un nuevo galardón. El que he recibido lleva un titulo de película del sábado: “la blogger cautiva” y consiste en no dejarme viajar a Madrid para la ceremonia del premio Ortega y Gasset. Los que me lo otorgaron no han querido dar su nombre y su apellido, aunque en este Blog hemos llegado a mencionarlos como “ellos”. Son esos que, desde un uniforme militar, manejan nuestros derechos ciudadanos y no dan explicaciones sino que imparten órdenes.

No creía merecer tantas atenciones, pero si los funcionarios insisten, acepto esta nueva distinción. Olvidan ellos que en el ciberespacio mi voz puede viajar sin límites, salir y entrar sin pedir permiso… No importa si mantienen retenido mi pasaporte. Desde hace un año tengo otro que en el acápite de nacionalidad exhibe una breve palabra: “blogger”.

Um insólito acontecimento: estar dos dois lados

Hoje fui a Aveiro a uma reunião com o poder e, enquanto procurava chegar ao local, depois de ter tido autorização policial para isso, vi, do outro lado da rua, os manifestantes, poucos, dois ou três sindicatos e mais meia dúzia de free-lancers. E desse lado um meu amigo. E então passei a barreira e fui cumprimenta-lo e ambos aceitámos que estávamos ali por motivos diferentes, e passei para o lado de cá, segui para a reunião, enquanto o meu amigo ficou do lado de lá a gritar protestos ao o poder que chegava.

9.5.08

Portugal é um destino tropical


e os portugueses aproveitam-no mal: porque têm medo do sol (que faz dores de garganta e constipações) e dos chuviscos e de qualquer brisa mais intensa. Aqui em Coimbra temos um parque magnífico, hectares e hectares de rio e natureza, no entanto, se chove, por pouco que seja, o parque fica vazio, no entanto, conheço famílias jovens com crianças pequenas que nunca lá puseram os pés, e os outros lamentaram-se do sol até que encheram aquilo de arvores que limitam os relvados para os jogos de bola, lamentaram-se porque não tinham um parque infantil (vulgo baloiços e balancés), como se as crianças não pudessem brincar de outra forma, e agora enjaulam os pobres infelizes naqueles poucos metros quadrados de diversão. Preguiça ou falta de imaginação?

Portugal um destino tropical



Uma estudante erasmus polaca diz na SIC que escolheu vir para Portugal, também, por ter ouvido falar do sol, das praias e das palmeiras.

Na minha janela é Maio e chove. Anyway, tenham um bom fim-de-semana.

A Rosa


Por uns tempos morei numa aldeia dos arredores de Coimbra, não aquilo não era subúrbio, era aldeia mesmo, com a mercearia suja e atascada de produtos fora do prazo de validade misturados com as rações para o gado e os adubos para a agricultura, o adro da igreja e a missa cheia de velhos e de velhas e a taberna. A taberna, que se dava pelo nome de café qualquer coisa, escura e mal engendrada, a qualquer hora do dia ou da noite cheia de homens mais ou menos ordinários a beberem “finos” com martini, "finos" com vinho branco, "finos" com vinho do porto. E a dona do café, a taberneira, a Rosa, uma Rosa espantosa. A Rosa era muito nova e gira e metia o marido na ordem, embora este dormisse até ao meio-dia enquanto ela se esfalfava desde a madrugada. A Rosa usava calças justíssimas, t-shirts mínimas, o cabelo muito bem tratado com uma franja moderna, e os homens tinham-lhe cá um respeito... eu perdia-me a vê-la actuar, grande mulher.
Um dia, pelo mês de Maio, saí para ir à farmácia, a farmácia era, para além da Rosa, a modernidade daqueles arrabaldes. Gosto muito de farmácias, não pelos medicamentos, que os não tomo, mas por todas as promessas encerradas nos boiões de cremes e frascos de vitaminas. Naquele dia fraquejei por um dispendioso milagre-anti-celulite. De seguida entrei no café-taberna, pedi o que queria e pus-me, muito discretamente, a ler o panfleto, a inteirar-me das vezes que teria que esfregar o unguento e a imaginar umas pernas lisas e maravilhosas. Perdida naqueles devaneios ouvi por trás de mim a voz da Rosa, com quem eu nunca tinha trocado mais do que bom dia, boa tarde, um café, muito obrigada, a voz sábia da Rosa – isso não presta, é dinheiro deitado fora. É mesmo.

As listas


Pelo menos esta é-me mais fácil do que uma outra, que andou por aí há uns tempos, dedicada a livros que não mudaram as nossas vidas.

Desta lista do Telegraph li dez livros e tenho intenções de ler outros oito, nenhum deles cabe na minha definição de “the sort of book that people wear like a leather jacket or carry around like a totem”. Sim, li o Fernão Capelo Gaivota e mais uns quantos do mesmo autor, já na altura, pelos meus 16 anos, os achava uma treta, mas estavam na moda e ofereciam-se nos aniversários. O Dr Spock li-o numa edição dos anos 60, é interessantíssimo, para descobrir uma quantidade de ideias que foram ultrapassadas nessa área, mas também por outras, que apesar dos anos revelam um enorme bom senso. As obras de Alberto Camus também fazem parte da minha juventude, mas pela negativa, a minha mãe aconselhou-mas e eu não gostei nada, nessa altura preferi o Sartre. Li algum Camus mais tarde, reli O Estrangeiro num fôlego no último verão. O Assim falava Zaratustra fui lendo... mais nos meus 18 anos. O Leopardo li há muitos, muitos anos e tenho mesmo que reler. Do Italo Calvino há obras muito melhores do que a citada.
É um bocado estranha esta lista. Li tudo em português.


Os que li:

Baby and Child Care, Benjamin Spock (1946)
Labyrinths, Jorge Luis Borges (1962)
The Leopard, Giuseppe di Lampedusa (1958)
The Master and Margarita, Mikhail Bulgakov (1967)
If on a Winter’s Night a Traveller, Italo Calvino (1979)
Jonathan Livingston Seagull, Richard Bach and Russell Munson (1970)
The Prophet, Kahlil Gibran (1923)
Siddhartha, Hermann Hesse (1922)
The Stranger, Albert Camus (1942)
Thus Spoke Zarathustra, Friedrich Wilhelm Nietzsche (1883-85)


Os que tenciono ler (tantos livros, tão pouco tempo):

The Hitchhiker’s Guide to the Galaxy, Douglas Adams (1979)
The Alexandria Quartet, Lawrence Durrell (1957-60)
The Bell Jar, Sylvia Plath (1963)
Catch-22 by Joseph Heller (1961)
Confessions, Jean-Jacques Rousseau (1782)
The Private Memoirs and Confessions of a Justified Sinner, James Hogg (1824)
The Doors of Perception, Aldous Huxley (1954)
Story of O, Pauline Réage (1954)


As listas do Luís e do Zé Mário
Há uns tempos a Biblioteca Geral da UC promoveu uma lista destas, por entre os seus professores/investigadores, com um resultado completamente diferente.

7.5.08

Cantigas de Maio

Maio maduro Maio

Maio maduro Maio
Quem te pintou
Quem te quebrou o encanto
Nunca te amou
Raiava o Sol já no Sul
E uma falua vinha
Lá de Istambul

Sempre depois da sesta
Chamando as flores
Era o dia da festa
Maio de amores
Era o dia de cantar
E uma falua andava
Ao longe a varar

Maio com meu amigo
Quem dera já
Sempre depois do trigo
Se cantará
Qu'importa a fúria do mar
Que a voz não te esmoreça
Vamos lutar

Numa rua comprida
El-rei pastor
Vende o soro da vida
Que mata a dor
Venham ver, Maio nasceu
Que a voz não te esmoreça
A turba rompeu

José Afonso

6.5.08

A minha indignação




Andei muito ocupada nos últimos dias e nem dei conta disto. Na verdade há coisas que preferia nem saber.

Em S. Martinho do Campo, aldeia do concelho de Santo Tirso, há uma casa destruída à bomba onde morreu uma senhora, mãe de família, que pagou com a vida o ser casada com um sindicalista.

Maio de 68


Ontem gostei de ouvir a Maria Filomena Mónica a dizer que o Maio de 68 francês é uma efabulação, um exagero, de meia dúzia de portugueses que andavam por Paris naquela época. Falava, obviamente, da influência do Maio de 68 em Portugal. Se por vezes a distância no tempo traz objectividade e perspectiva, outras faz crescer o mito, e se calhar a Maria Filomena Mónica, apesar da sua veia umbiguista, está certa. Por mim sei que a minha tia chegou de Londres com o escândalo das mini-saias e que as outras tias ouviam Juliette Gréco, Serge Gainsbourg ...

das palavras

Como se a modernidade se medisse também pelo à vontade com que se escreve a palavra foder.

2.5.08

Por estes dias





Se há coisa que me faz confusão é gente nova ressabiada. Compreendo a amargura daqueles que tiveram que antecipar a viagem sempre sonhada ao Brasil (RAP dixit), daqueles que passaram por processos de saneamento inenarráveis. Conheci ambos os lados, o dos saneados e o daqueles que viram familiares mortos por bombas de extrema-direita. Mas tudo isso foi há muito tempo, muitas águas passaram, embora não suficientes para apaziguar os mais velhos, aqueles que por razões diversas viviam com algum conforto nos tempos da velha senhora. Mas e os novos?... aqueles que nem eram nascidos ou que como eu eram crianças... de quanto tempo precisam mais para verem que, depois de excessos de um lado e de outro, o 25 de Abril fez com que Portugal passasse de um país atrasado, medievo, a um país que mal ou bem acompanha a Europa na saúde, na educação, no bem estar social?

E deixemo-nos de coisas, foram lindos aqueles primeiros dias.
Adenda:
24 de Abril de 1974
Taxa de mortalidade infantil: 37,4 por mil
Taxa de analfabetismo: 33,7%
Lares sem electricidade: 36,2%
25 de Abril de 2008
Taxa de mortalidade infantil: 3,3 por mil
Taxa de analfabetismo: 6,2%
Lares sem electricidade: 0,3%

Chick Corea


De repente chegam-nos a casa, nunca os tínhamos visto ou ouvido falar deles, chegam de uma cidade de quem nem sequer conhecíamos o nome, Torun, nem sabíamos, à partida, se viriam rapazes ou raparigas, só a idade, 15 anos, e o gosto pela música. Durante cinco dias partilhamos os dias, os pequenos-almoços e a casa de banho. Depois partem e nunca mais sabemos deles, e assim é que deve ser. Fica-nos a agradável lembrança de um dia em que acordámos com uma música conhecida, mas que há muito não escutávamos, Chic Corea - oh sim, são os meus músicos preferidos, Chick Corea e Bobby McFerrin - aos 15 anos. Mostramos-lhes a Maria João e o Mário Laginha, dizem que sim.