30.11.07

A mulher na religião, crónica de VPV

É por estas razões que eu gosto do Vasco Pulido Valente.


Obrigada Charlotte, isso é serviço público.

Maurice Béjart


Lindíssima esta história de coragem e verticalidade de Maurice Béjart, que li em primeira mão no Bicho Carpinteiro e agora na Visão. A história é agora lembrada porque o coreógrafo de 80 anos morreu esta semana. Estava-se a 6 de Junho de 1968 e Maurice Béjart, a convite da FCG, apresentava no Coliseu o “Romeu e Julieta”. Nesse mesmo dia Bob Kennedy era assassinado e Maurice Béjart veio ao palco condenar o fascismo e a violência de que Robert Kennedy tinha sido mais uma vítima e concluiu “como todos os que estão aqui esta noite somos contra as ditaduras”. Nem todos... na plateia encontrava-se, entre outros, o ministro Franco Nogueira. A história acabou com o coreógrafo expulso do País e com um longo diferendo entre Salazar e Azeredo Perdigão, ao tempo o presidente da Fundação. Diverte-me imaginar Salazar a estrebuchar contra a FCG, mas a saber que não tinha grandes hipóteses nessa guerra.

Shame on you

No A Aba de Heisenberg.

20.11.07

time to say goodbye

19.11.07

Política Espectáculo

...
Por um lado, os responsáveis políticos, a começar pelo presidente em exercício, o primeiro-ministro português, fazem declarações de princípio sobre a importância da cimeira e sobre a natureza das relações entre a Europa e a África. Fala-se de uma agenda política global onde estarão presentes todos os temas da actualidade e afirma-se que os africanos terão parte plena na discussão dos mesmos. Defende-se o contexto de parceria política e reconhece-se o peso específico da África. Mas, depois, os técnicos que preparam a cimeira deixam perceber que os temas concretos que mais interessam as populações e dos quais o seu futuro imediato mais depende – como os conflitos no continente, os abusos dos direitos humanos, a corrupção, os acordos de parceria económica que noutra sede estão a ser discutidos entre a Europa e a África - correm o risco de não entrarem para a agenda. Por razões «óbvias». Isto é: para não ferir susceptibilidades políticas e pessoais e, sobretudo, para não perder oportunidades de negócios.
Convenhamos que, se a cimeira africana se realizar e os problemas que mais interessam as populações do continente ficarem de fora, não poderemos passar sem nos perguntarmos a quem interessa esta política espectáculo e que futuro tem uma cooperação lançada sobre estas bases. Teremos declarações de princípio, foto de grupo e palmadinhas nas costas... mas os africanos do Zimbaué, do Darfur, do Sudão, do Congo, de Angola, do Chade, da Costa de Marfim, da Etiópia, da Eritreia, da Somália... continuarão a viver na exclusão e a esperar em vão.


Manuel Ferreira, editorial da revista além-mar, Novembro 07

18.11.07

O livro 1000 000



via Da literatura

Ainda ontem dizia a uma amiga, não portuguesa, exactamente isso, o Memorial do Convento, o primeiro livro que li de José Saramago, não é fácil de ler. Li-o quando saiu e apesar de não ter voltado a ele ainda me lembro de passagens completas, nomeadamente do início. Mas também me lembro que li o início uma série de vezes antes de conseguir passar às páginas seguintes, custou-me entrar na escrita Saramago. Será que o milhão de exemplares foi efectivamente lido por quem os comprou?
È de longe a minha obra preferida e até nem gosto de muitos mais, por exemplo não li até ao fim a “Jangada de Pedra”.
No outro dia ouvi José Saramago dizer que o Memorial do Convento está traduzido em mais de 50 idiomas e que estranha como é que, por exemplo, aos orientais, lhes pode interessar um livro que relata uma cultura que lhes é tão estranha e que decorre numa época que ainda lhes há-de ser mais estranha. Deve ser a atracção pelo “esplendor barroco”, oxalá que sim.



Fim de semana em Coimbra

Sexta-feira, Teatro Gil Vicente

Quarteirão de Coro” no Gil Vicente. O Gil Vicente esgotado, esta que vos escreve, estava à hora do Concerto à porta do Teatro com uma grande fé em que alguém havia de desistir de ir e assim conseguir um bilhete. E foi a fé que me salvou. O espectáculo que anunciei uns posts abaixo não podia ter sido melhor: os ilustres convidados dos Pequenos Cantores, com o Sérgio Godinho à cabeça partilharam com os miúdos do coro o melhor que cada um tem em si (memorável o Coro das Velhas com os miúdos, os músicos da Brigada Victor Jara e o Sérgio Godinho) e a noite foi de festa.
Conheço o Coro por dentro: o único profissional (no sentido comum do termo) é o maestro, tudo resto é feito da dedicação dos miúdos e de meia dúzia de pais carolas, da vontade em fazerem coisas bem feitas. E quando a carolice permite espectáculos destes...

Sábado, Pavilhão Multi-Usos

O Pavilhão “à pinha”, crianças, pais e professores. E mais um “maluquinho”, o Maestro Virgílio Caseiro, que contra ventos e marés teima em que um mundo com música é um mundo mais feliz. A orquestra tocou e a Helena Faria contou “O Pedro e o Lobo”.


Domingo de manhã, ParqueVerde

Uma manhã linda. À minha frente caminham duas mulheres vestidas de ir à missa ou ao passeio da catequese. Comentam os encantos e desencantos do Parque quando uma delas, sorrateira, deixa descair o braço naftalínico e livra-se de um papel (lenço) que traz na mão e que fica a manchar o relvado. Merecia ser esbofeteada, porcaria de país que nunca mais se civiliza.


Domingo à tarde, entrevista de Vasco Pulido Valente ao Expresso

Fico a saber que VPV é obsessivamente arrumado “Na sala não há um objecto a mais ou um livro fora do lugar”. Tem graça, imaginava exactamente o contrário.


Fico a saber que VPV vai publicar um livro sobre as Invasões Francesas e que a expressão “ir para o maneta” tem a sua origem na alcunha de um sanguinário e maneta general de Junot.

Fico a saber que se VPV tivesse vivido em Roma, não gostaria de ter sido César mas um dos seus senadores “bem no centro da política”. Também eu! É o que se chamaria, ter o melhor dos dois mundos.

Fico a saber da sua necessidade de solidão (menor à medida que envelhece, ora aqui está uma coisa em que não é muito original). “Quando vivia conjugalmente com alguém, se não conseguia estar um ano ou dois sozinho, começava a sentir falta, encorajava a outra pessoa a viajar...”. Oh Maravilha!

Começo a concordar com o Miguel Sousa Tavares quando este diz que VPV só conhece dois países, o Gambrinus e Oxford! Isto porque VPV afirma na entrevista”Estas coisas do ensino e da investigação não levam a nada”. Qualquer pessoa que tenha passado umas semanas numa genuína universidade não pode olhar para isto senão com tristeza”.

14.11.07

13.11.07

O sabujo

Encontrou-me no final de um acontecimento social, acotovelávamo-nos na saída: Isabel, chama-se Isabel? Fomos colegas de curso, lembras-te? Não, , ah sim, olá como estás? tantos anos... enquanto o tentava encaixar nas minhas recordações; só o conseguia associar a qualquer memória indefinida, mas decididamente pouco agradável. Quando pretendi acrescentar mais alguma coisa já o dito atropelava tudo e todos para ir cumprimentar uma personagem “ilustre” na outra ponta da sala. As minhas memórias não me tinham traído, era o sabujo do curso.

11.11.07

Capitu

O resto é saber se a Capitu da Praia da Glória já estava dentro da de Matacavalos, ou se esta foi mudada naquela por efeito de algum acaso incidente. Jesus, filho de Sirach, se soubesse dos meus primeiros ciúmes, dir-me-ia, como no seu capítulo IX, versículo 1: « Não tenhas ciúmes de tua mulher para que ela não se meta a enganar-te com a malícia que aprender de ti»: Mas eu creio que não, e tu concordarás comigo; se te lembras bem da Capitu menina, hás-de reconhecer que uma estava dentro da outra, como a fruta dentro da casca.


Machado de Assis, Dom Casmurro

9.11.07

tolerância

Música para um casamento




O Bruno escreve sobre música e funerais e eu lembrei-me desta história bem engraçada:

há uns anos cantava eu num coro que, por razões de subsistência e sobrevivência, costumava acompanhar missas de casamento. Quando os noivos contratavam o coro, passavam por lá para se fazer o alinhamento de acordo com as suas preferências (e com o reportório do coro, óbvio). Aparecia de tudo, mas o pedido mais estranho veio de uma noiva que queria o Requiem de Mozart para a missa do seu casamento. Com o argumento de que era a sua música preferida. Não houve quem a convencesse de que não era a banda sonora mais apropriada. Só o facto do coro não ter essa obra no reportório impediu que se ouvisse o Dies Irae enquanto o pai orgulhoso levava a filha ao altar.


Nota: há uns tempos, o M., de três anos, andava entusiasmadíssimo porque ia a um casamento, não falava noutra coisa de manhã à noite. E já nas vésperas perguntou-me: mãe, um casamento é um teatro não é? É meu filho, é uma espécie de teatro.

7.11.07

Descobri que não existo

tudo porque ninguém me perguntou o que está escrito na página 161 do livro que tenho mais próximo. E agora vão acusar-me de despeito, mas que graça tem essa corrente? às vezes penso dos bloggers (generalizacões, que coisa feia) o que penso dos professores universitários: são um bocadinho infantis, não são?