27.6.08
fala-se muito
viajando por aí, leio isto e depois isto. Não vou por uma nem por outra, mas falta-me o tempo para ordenar as ideias e para as escrever com clareza. E depois leio este magnífico texto da Maria Manuela Cruzeiro (parabéns) e está lá tudo. E, mutatis mutandis, o que eu penso do diálogo de surdos sobre e entre as mulheres e o femininismo "mas fala-se seguindo dois impulsos igualmente redutores". Espero que me entendam.
mas fala-se seguindo dois impulsos igualmente redutores: o dos saudosistas que exaltam o ditador através de narrativas mistificadoras sem qualquer respeito pela história. E o dos anti-salazaristas preguiçosos que normalmente se contentam com a diabolização do homem que consideram um chefe fascista tout-court.
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Etiquetas: grandes mulheres, memória
24.6.08
23.6.08
Da segurança
a segurança é tanta que põe em causa a segurança. Se virem bem não existem praticamente brinquedos suitable for under 3, qualquer toysinho, por mais ridiculamente seguro que pareça, contém peças pequenas, mesmo quando as não possui. E não se julgue que os fabricantes de brinquedos ou das embalagens que oferecem risco de asfixia e que não são brinquedos estão preocupados com a segurança dos nossos filhos, é para o lado que dormem melhor, o que os preocupa são as indemnizações que um qualquer maluco pode exigir porque o perigo da coisinha não estava convenientemente anunciado. Como os médicos que pedem CTs e Raios X em barda e que pouco se danam com a dose de radiação que o muito paciente está a levar em cima, desde que se aquilo der para o torto possam exibir o relatório no tribunal.... pois a segurança é tanta que andamos a criar crianças que serão certamente atropeladas nos primeiros passos que derem na rua, que porão fogo à casa no dia em que tiverem que acender um fogão para aquecer o almoço, que não saberão desenrascar-se perante um adulto insidioso, que deceparão um dedo no primeiro pão que tiverem que abrir usando uma faca.
Então vejam este vídeo*
* via http://obradamae.wordpress.com/
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Etiquetas: crianças
1º de Agosto, primeiro de Inverno
Há muitos anos, num 1 de Agosto, andava eu por Angra do Heroísmo, o meu primeiro dia de Angra do Heroísmo, quando o céu se fechou e caiu uma carga de água memorável e que não abrandou o dia todo. Tinha pela minha frente dois possíveis cenários, meter-me em casa e esquecer a cidade, ou percorre-la encharcando os trapos. Optei pela rua e corri da Sé ao Teatro, do porto ao Museu, abrigando-me em cada esquina ou beiral, e em cada esquina ou beiral, ouvia, 1ºde Agosto, primeiro de Inverno, 1ºde Agosto, primeiro de Inverno, menina, 1º de Agosto, primeiro de Inverno. Lembrei-me hoje daquela reza, 1ºde Agosto, primeiro de Inverno, hoje quando o Verão ainda só leva 3 dias.
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Etiquetas: o tempo
20.6.08
O que eu gosto da blogosfera
um dia eu também hei-de conseguir escrever um post assim, e hei-de ter 20 leitores, ou ledores, que é uma palavra muito gira do regabofe.
e assim, com dois links, talvez as minhas page-views aumentem para 17,2.
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Etiquetas: outros blogs
19.6.08
relativismos
-A Maria é pequenina, tem 3 aninhos, eu sou grande, tenho 3 anos.
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Etiquetas: o mundo é teu
totó-zisse ilimitada
não sei se já contei aqui esta história, o alzheimer, oh meu deus, o alzheimer, mas se contei, conto outra vez, e compreende-se porque foi um trauma: estava em conversa com a mãe de uma “amiguinha”, agora diz-se assim “amiguinha”, no meu tempo era menos fino era só amiga, do meu filho mais novo comentando como é difícil a hora de os por na cama, mais uma história, quero fazer xixi, tenho sede, a adiarem, a adiarem a hora da luz apagada. Ambas, ela mãe de primeira água, eu mãe experiente, ambas de acordo. Até que me foge a boca para a verdade e divulgo a hora a que o rapaz se deita todas as noites e levo com um, “desculpe, não estamos a falar da mesma coisa, em minha casa há regras”. Ups!, em minha casa também, muitas regras , algumas regras, sempre, quase sempre, às vezes.
Foi por isso que li com grande gáudio o relato deste pai, muitíssimo mais totó do que eu.
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Etiquetas: mães e pais
18.6.08
criada de quarto
— Célestine, soyez franche avec moi… Monsieur ne vous a jamais poussée dans un coin?… Il ne vous a jamais embrassée?… Il ne vous a jamais…?
Un domestique, ce n’est pas un être normal, un être social… C’est quelqu’un de disparate, fabriqué de pièces et de morceaux qui ne peuvent s’ajuster l’un dans l’autre, se juxtaposer l’un à l’autre… C’est quelque chose de pire : un monstrueux hybride humain… Il n’est plus du peuple, d’où il sort; il n’est pas, non plus, de la bourgeoisie où il vit et où il tend… Du peuple, qu’il a renié, il a perdu le sang généreux et la force naïve… De la bourgeoisie, il a gagné les vices honteux, sans avoir pu acquérir les moyens de les satisfaire… et les sentiments vils, les lâches peurs, les criminels appétits, sans le décor, et, par conséquent, sans l’excuse de la richesse…
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Etiquetas: Le journal d’une femme de chambre, Octave Mirbeau
a rapariga que amava o amor
Enfin — et ceci est plus grave — je n’ai pas la moindre défense contre les hommes… Je serais la constante victime de mon désintéressement et de leur plaisir… Je suis trop amoureuse, oui, j’aime trop l’amour, pour tirer un profit quelconque de l’amour… C’est plus fort que moi, je ne puis pas demander d’argent à qui me donne du bonheur et m’entrouvre les rayonnantes portes de l’Extase… Quand ils me parlent, ces monstres là… et que je sens sur ma nuque le piquant de leur barbe et la chaleur de leur haleine… va te promener!… je ne suis plus qu’une chiffe… et c’est eux, au contraire, qui ont de moi tout ce qu’ils veulent…
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Etiquetas: Le journal d’une femme de chambre, Octave Mirbeau
Comam sopa que é melhor para o estômago
-e o que é que a menina costuma comer ao primeiro-almoço?
-café com leite, madame.
-e estas criadas que agora só querem café com leite! em minha casa vai comer sopa, que é melhor para o estômago.
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Etiquetas: diário de uma criada de quarto, dietética, Octave Mirbeau
17.6.08
Os portugas e os outros
A ler, o meu relato, e um comentário do FNV
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Etiquetas: portugas
13.6.08
Bom povo português
que há o bom povo português A, bacoco, das bandeiras e das buzinadelas, mas também o bom povo português B, que não se quer bacoco, mas que é tão primário como o português A, que sinceramente desejava que a selecção portuguesa de futebol não passasse da fase de grupos (para estes, diria o meu filho, temos pena!) e que agora se congratula porque o Abra-não-sei-das-quantas contratou o Scolari livrando a selecção no futuro do energúmeno seleccionador. Que o Abra-não-sei-das-quantas anda a dormir... e se contratou o Scolari foi por gostar do sotaque. E eu que até não costumo escrever sobre futebol... mas isto não é futebol, é o pior do “português que há em si”.
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Etiquetas: bom povo
11.6.08
C.
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Etiquetas: a minha loira
Da escrita
Mário Cláudio diz, numa entrevista na Visão da semana passada, que não compreende quem diz que escreve por diversão, por prazer (não recordo os termos mas a ideia era essa). Eu não compreendo o Mário Cláudio, pois são exactamente essas as razões que me fazem escrever estes posts atamancados. Não compreendo quem acha que para se ser sério tem que se levar a vida “gemendo e chorando neste vale de lágrimas”.
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Etiquetas: escrever
Do10 de Junho
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9.6.08
Porque sou do Norte
-por favor, queria um lanche
-muito bem, e o que é que quer lanchar?
-um lanche.
-...?
-uma daquelas coisas com fiambre, ou chouriço, ou lá o que é.
-ah, uma merenda.
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Etiquetas: feitios
Do futebol
Nunca ninguém aqui me viu falar de futebol, também não ostento bandeiras na varanda, muito menos nas janelas do carro. Mas muito me espantam aqueles que durante todo o ano (toda a época!) enchem os seus blogs de futebol, de futebol não, de clubismo, e que agora saem a dizer “espero que Portugal não passe da fase dos grupos”. Logo agora que o futebol é festa. É de um elitismo bacoco, de uma snobeira sem limites.
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Etiquetas: futebol
6.6.08
um produto alimentar contendo amónia
Por isso, caro leitor, cara leitora, se souber onde se pode adquirir o milagroso produto alimentar contendo amónia, não hesite, contacte-me, muito obrigada.
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Etiquetas: moscas
4.6.08
Umas raridades

Nas aldeias inglesas há uns espaços especialmente aprazíveis durante os dias de verão, os velhos cemitérios em torno das muito velhas abadias. Há sempre um banco de jardim para que o viandante se repouse, coma uma sandwich de salmão fumado e pepino, beba uma água fresca e pegue do pequeno livro de bolso ou do moleskin para algumas notas ou rápidos esquiços. Ou medite apenas na vida e na morte sem grandes angustias ou melancolias. Para ajudar ao enlevo nada como tentar decifrar as carcomidas lápides envoltas em relva, erva ou plantas selvagens. Duas destas inscrições ficaram-me particularmente na memória, referiam-se a duas mulheres mortas no século 18, em idades absurdamente avançadas para a época, uma finou-se aos noventa e cinco anos e dizia a lápide “e ainda tinha bons dentes", a outra, rapariga para a mesma idade, destacava-se pela quantidade de maridos que tinha enterrado: “Aqui jaz Mrs A. Smith, casada com Mr X de tantos a tantos, com Mr Y de tantos a tantos e com Mr Z. Smith de tantos a tantos”. Umas raridades.
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Etiquetas: estórias
3.6.08
Os blogs são formas de comunicar entre terroristas, entre traficantes de droga*
Na parvónia muito parvónia onde cresci tudo o que fugia um bocadinho à norma mais normal, careta, machista, conformista, reaccionária, etc, levava em cima com “são uns drógádos”. Embora com pouco ou nenhum proveito, o epíteto enchia-nos de orgulho e levantávamo-lo como uma bandeira que significava “não somos como eles, somos muito melhores”. Obrigada, Sr Moita Flores*, por me fazer voltar a esses tempos gloriosos.
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Etiquetas: Moita Flores dixit
Da poesia
Eu não digo que a minha firewall funciona muito bem, que história!
Quase todos os dias o meu dia começa na Antena 2 com o Paulo Alves Guerra, e que bela forma de começar o dia. Hoje, o meu convidado, ou do Paulo Alves Guerra, que importa, foi um poeta, o poeta Ivo Machado, e vejam só que história ele trouxe:
O poeta, que à época ainda não era poeta mas só escritor, era também controlador aéreo na ilha de Santa Maria. Num dia dos anos oitenta do século vinte um piloto solitário, outro poeta, navegava sobre o Atlântico e vê-se subitamente em grandes apuros. A aflição do poeta piloto é detectada em Santa Maria e Ivo Gonçalves tem por missão estabelecer e manter o contacto com o piloto até que outra ajuda lhe possa chegar. Foi aqui que eu comecei a ouvir o relato, o que está para trás reconstruí-o depois. Quando lhe pergunta se está sozinho, o piloto, que não, estou eu e os meus livros. E que livros lê? o piloto fala de uma poetisa americana, Conhece? O controlador diz que não e pergunta ao piloto se conhece poesia portuguesa. Que não. A conversa não pode parar ali, o controlador traduz e recita toda a poesia portuguesa que lhe vem à cabeça, Sophia, Pessanha...quando esgota tudo o que sabe de cor lembra-se que tem com ele um poeta americano e durante o que resta de uma hora trocam poesia, a poesia é que nos salva, a poesia é que nos salva. O piloto muito tranquilo, quando eu chegar à Califórnia...
Já aviões canadianos o sobrevoam, o pequeno avião amarou e o controlador aéreo pode enfim repousar. Mais tarde sabe-se que, quando chegaram os socorros, o pequeno avião vogava calmamente nas águas do Atlântico, mas o piloto estava morto, um instrumento de bordo tinha-lhe acertado na nuca.
Nota: a história pode não ser bem esta em todos os detalhes, porque a apanhei a meio, porque por vezes a confusão do trânsito me pode ter desviado a atenção do essencial. Que o poeta Ivo Machado me perdoe o ter-lhe roubado a história nesta escrita atamancada.
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2.6.08
It is man's natural sickness to believe that he possesses the Truth
What philosophy do you follow? (v1.03) created with QuizFarm.com | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||
| You scored as Existentialism Your life is guided by the concept of Existentialism: You choose the meaning and purpose of your life.
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Fim-de-semana em Coimbra, de como ando desinformada
Domingo 16h - saio de casa e deparo com o povo, uma multidão, que se dirige apressado e decidido para os lados da ponte de Santa Clara. O ambiente é o das festas da Rainha Santa, mas ainda falta um mês... a profusão de cachecóis do modelo e continente e de bandeiras nacionais dá-me algumas pistas sobre o teor do acontecimento. Mas como é que todo aquele levantamento popular soube do que ainda não sei, se eu que moro mesmo ao lado não dei conta de nada? Foi anunciado na missa, na televisão?
Alegro-me, a minha firewall continua a funcionar bem.
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Etiquetas: Fim de semana
Num jornal de referência
O mesmo não se espera de um jornal nacional e que pretende ser de referência, o “Público”, mas as gaffes são uma constante. Ontem apanhei estas pérolas na “Pública”, e na “Pública” nem sequer há a desculpa da pressão, da notícia em cima do acontecimento, numa reportagem sobre os gelados Santini:
A geladaria está encerrada de Março a Novembro por não haver fruta de qualidade durante esses meses.
O actual proprietário é o sogro do fundador (e bisaram na confusão dos graus de parentesco).
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