18.12.06

Doces que são mesmo doces: Papos- de-Anjo



Doce italiano que se preze leva um licor, doce português leva ovos e muito, muito açúcar.
Se calhar esta não é a mais ortodoxa das receitas deste doce conventual, mas é de fácil realização e o resultado é muito bom. Batem-se 9 gemas durante 20 minutos com a batedeira eléctrica, se tiverem uma batedeira auto-sustentável melhor, senão peçam ajuda aí em casa. Adiciona-se uma clara em castelo. E já está!
Quase… falta untar forminhas pequenas que se enchem com o creme obtido, que por sinal é bem espesso, e cozer em forno médio (180-200ºC) em banho-maria. Enquanto os papos de anjo vão crescendo alegremente no quentinho, prepara-se uma calda, com 500 g de açúcar (com açúcar e com afecto// fiz seu doce predilecto), 300 cl de água e um pau de canela, que ferve até ponto de pérola (isto é menos óbvio mas não é dos pontos de açúcar mais complicados, deixando cair a calda de uma colher, forma-se um fio com uma pérola na ponta, fantástico!). Por fim mergulham-se os papos-de-anjo nesta calda e de preferência comem-se só no dia seguinte. E se não nos virmos antes, Bom Natal.

15.12.06

Fim de semana na Europa: o frio e a comida



Na Europa não há o frio costumeiro de Dezembro, não há neve. Dizem-me os meus colegas, checos, suíços e alemães, que não têm lembrança de um Outono tão quente. Em Basileia está mais frio do que em Portugal, do que em Coimbra, mas não muito. E chove.
Sexta à noite os bares estão tão cheios que dificilmente encontramos um lugar onde beber uma cerveja sentados. Sábado, mais frio e mais chuva e as ruas continuam apinhadas de gente. Sobretudo em torno do Mercado de Natal. Famílias inteiras passeiam-se por entre as barracas da feira e vêem-se poucos guarda-chuvas. Numa das barracas crianças preparam velas de cera de abelha e com o nariz de fora da janela seguram a vela pelo pavio à espera que a cera consolide. Noutra barraca almoçamos salsichas com pão e cerveja - está-se bem!
No que toca a comida a minha Europa divide-se em duas partes distintas: nos países de tradição católica ou ortodoxa come-se bem, nos países de tradição protestante, seja qual for a tendência, come-se mal. Na Suiça, pelo menos no cantão alemão, come-se muito mal: os doces não são doces, os salgados não têm sabor – salvam-se o pão, as salsichas e alguns queijos.
Sexta-feira o jantar foi inesquecível e inarrável (era suposto ser um bom jantar, num hotel agradável, os convivas gente simpática vinda dos quatro cantos da Europa): creme de espargos cup-a-soupe, massa cozida e umas cenouras, cortadas em bocados grandes e irregulares, nem cruas nem cozidas acompanhavam uma carne que não conseguimos identificar tal era a ausência de sabor. E pretendiam que acompanhássemos esta brilhante refeição com água da torneira ou sumo de maçã. Acreditam? Acabámos por encomendar uma garrafa de vinho siciliano de 2005 que pagámos a um preço absurdo.
De regresso a Portugal leio que o exclusivo Eleven tem uns menus de hora de almoço, vinho incluído, a um preço semelhante ao que desembolsei no Hotel Bildezumcentrum. Comer é aqui na terrinha.

13.12.06

A Rainha do Baile – Conto alegórico


Era eu jovencita e lá na minha terra, no salão paroquial ou coisa parecida, havia Baile. Duas vezes por ano, a 31 de Dezembro e sábado gordo era certo e sabido que íamos ao baile, ao primeiro empinocadas ao segundo mascaradas, mas o efeito era o mesmo. E sabíamos que também lá havia de estar a filha do marceneiro, chamemos-lhe Anselmo Machado, bom nome para marceneiro, homem próspero, a filha a cópia perfeita das irmãs da Gata Borralheira. A irmã da gata Borralheira só aparecia nessas duas datas, no resto do ano sumia-se em casa. Mas no Baile, de Carnaval ou de Fim de Ano, a filha do Anselmo Machado marceneiro era sempre, foi sempre, a Rainha do Baile. Ganhava o título e o trono a menina, a jovencita, que arrecadasse mais convites para uma dança, um tango, um chachachá. A venda dos convites revertia a favor de uma associação de beneficência e nunca o Anselmo Machado marceneiro deixou os seus créditos por mãos alheias, venham daí 50 convites, que a minha menina há-de ser a Rainha.


Uma estrangeira em Portugal ou “Vá lá aumentem aí essa auto-estima, nós temos coisas boas”

I love Portugal, I just do. I get the feeling when I go that I´m seeing a parallel universe, almost like a version of Spain in which trees haven´t been cut down, where everything is greener, and men sport moustaches.

I said, in my previous post, that I meant to spend a lot of time browsing supermarket shelves. That seemed odd to a fair few, I bet, but I´ll explain.

Graphic desing is everywhere, in a way that great art may not be. Even if Faro only has a small old centre, and no world famous monuments, there´s penty to look at in the way of signs and labels. The best and the worst of are instantly available, and to me, it is particulary absorbing, because I feel I can tell all I want to know about a country from it. Or something like that.

Faro is very like southern Spain in many things. The climate, obviously, the whitewashed buildings, a lot of the architecture. The inside of the museum could be the inside of any museum in Spain. A Roman mosaic, a few shards of Islamic pottery, a few medieval headstones, a welter of baroque religious pictures. So far, so similar.
But step inside a supermarket, and the differences jump at you. What´s that misterious julienned vegetable labeled "caldo verde"? How about the five different pre-prepared mixes of vegetables for soup (we have one, at most)? Unfathomable cuts of meat. Five unknown types of Knorr stock cubes. Sausages in tins with the most lurid 70´s design!



Being a sea town, the fish was so fresh you felt you might be slapped in the face by a sea bass any minute. It was also very cheap, and it was very hard not to buy a whole shoal to take home. I held myself in, and tried to sublimate the crazy cosumerism by just drawing (as shown). They had several little fish I didn´t recognize, and there was a stand wholly dedicated to moray eels.Sea monsters!
I didn´t even know they were edible. I couldn´t find any in a restaurant, sadly, so that´s one more incognita in my life.

I stocked up on things that weren´t heavy, since we only had one suitcase between us. Bunches of wild oregano, wooden spoons, little bottles of chili sauce, a mysterious condiment for roast chicken, and the ubiquitous sardine paste. I collected a fair amount of labels, from beer bottles, chocolate milk powder, pastries and sugar packets.


The most exotic thing was some fudge I picked up at the airport, thinking it would be mint. It turned out to be flavoured with rosemary, very confusing, but not bad.

11.12.06

Temptation

Egon Schiele "Stehende Frau in Rot", 1913, Na Fundação Beyeler, Basel “Eros in Modern Art “ até Fevereiro de 2007



“I can resist everything except temptation”

O Retrato de Dorian Gray, Oscar Wilde - Da série "os livros que ando a reler"

O homem que amava o amor



Rebecca Horn “The Lover’s Bed”, 1990, Na Fundação Beyeler, Basel, “Eros in Modern Art “ até Fevereiro de 2007


Eu tinha amor ao amor: fiz tudo quanto há para o experimentar; mas parece que a natureza me negou um coração para amar e ser melancólico, não posso elevar-me acima do vulgar prazer.




A Cartuxa de Parma, Stendhal - Da série "os livros que ando a ler".