Fim de semana em Coimbra: DECLARAÇÃO
Odeio os dias pequenos.
Cheguei-me per'ela com gran cortezia// disse-lhe "Senhora, quereis companhia?"// Disse-me "Escudeiro segui vossa via."// Gil Vicente
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16 de Julho, acabei as “Liaisons dangereuses”: nem a escrita pérfida do Laclos escapa à moral judaico-cristã – E todo o mal será castigado! E ai mesmo de quem por fraqueza ou ingenuidade se deixe enredar nas malhas do mal, a sua sorte não será muito melhor, o seu fim não será muito diverso.
E como os heróis e heroínas do romance também eu regresso a Paris, chega da pasmaceira da Província. Hei-de passar a tarde pelos Champs Elisées, invejar todas as montras do Faubourg Saint Honoré, entrar em todas as livrarias e alfarrabistas disponíveis e acabar o dia no Marrais – Paris!
Depois serão duas semanas com o que Paris tem de pior, uma hora apertada no Metro RER, o mau cheiro e o calor insuportável, a loucura da Estação de Chatelet… marchando a compasso nas enormes passadeiras, olho no relógio, reposição dos Tempos Modernos do Chaplin
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Um destes sábados, almocei com o livreiro da Lusophone, a livraria portuguesa do Quartier Latin, ali mesmo ao lado dos jardins de Clunny, o João Heitor. Um beirão no negócio e no Quartier Latin há mais de 30 anos - sou dos mais antigos aqui no quartier, diz-me ele- o que não o impede de falar um francês correctíssimo, mas com o sotaque forte, muito forte, da Beira Alta - é uma referência na comunidade portuguesa mais ilustrada e tem imenso que contar. Almoçámos com dois amigos comuns portugueses (o mundo é pequeno) num restaurante arte nova do quartier, , e falámos de tudo, de França e de Portugal; da Parada Gay, dos pintores portugueses em Paris e de futebol, claro. Mais tarde encontro-o já vestido com a camisola da selecção portuguesa e um boné do Sporting, na mão leva a camisola do Brasil (camiseta, no Brasil camisola é o que se veste para dormir) que vestirá à noite – um verdadeiro lusófono.
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