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21.6.10

O Miguel e o futebol




Faz hoje seis anos e um novo sol na minha vida, há seis anos nascia o meu filho mais novo. O Miguel nasceu sob o signo do futebol, fui de véspera para a maternidade a tempo de ver a Portugal ganhar à Espanha enquanto contava contracções. No dia seguinte, durante o parto, a Suíça e a França jogavam ali ao lado e o Miguel a sair de dentro de mim e a perguntar, e como é que está o jogo? O Miguel é para mim infinitamente mais importante que qualquer campeonato, é um dos três campeonatos da minha vida. Mas, hoje que o Miguel faz seis anos, e em Setembro há-de ir aprender a ler, e que começa o Verão, Portugal ganha à Coreia do Norte por 7-0. E que assim continue a ser.

21.4.09

Polónia


Ainda esta semana parto por uns dias para a Polónia. Não tenho o menor interesse nem as menores expectativas em relação ao país. Se há uma cor associada a uma terra para mim a Polónia é o cinzento escuro, escuro sem ser antracite, cor muito mais interessante. Há muitos anos fui guia de um grupo de teatro polaco que veio a Coimbra participar num festival. Fui buscá-los ao aeroporto e de seguida levei-os a comer arroz à valenciana num restaurante abaixo da média, adoraram o exotismo. Os homens mostraram grande interesse pelas revistas de mulheres nuas expostas nos escaparates das avenidas, nada que os impedisse de em seguida ajoelharem com extrema devoção na Basílica da Estrela. Consegui escapar à peregrinação a Fátima. A simpatia que sinto pela Polónia é a mesma que me suscitou aquele grupo. Preconceitos. Na volta vos contarei.

4.2.09

mas haverá outra forma de nascer na Bielorrússia?


Já por aqui referi este assunto várias vezes, faz parte das minhas lutazinhas de estimação. O número de cesarianas reflecte normalmente o atraso de uma país, embora sejam as classes mais favorecidas quem mais recorre a este tipo de parto.

Duas pequenas contribuições:

quando nasceu o meu filho mais novo calhou-me partilhar o quarto com uma muito jovem mãe da Bielorrússia. Falava ela muito mal o português, sobretudo percebia mal o que se lhe dizia, mas de passarmos os dias cama contra cama a certa altura já eu funcionava como tradutora. Antes da “alta” era tradição o director da maternidade vir visitar as puérperas. Pergunta à rapariga, foi o primeiro parto? – que não, tinha uma menina nascida na Bielorrússia, mas de cesariana. O Director entre dentes para o séquito de internos – mas haverá outra forma de nascer na Bielorrússia?

no ano seguinte, chegou a hora de uma amiga brasileira, nordestina, mas a residir em Portugal. Parto normal. Confessou-me depois ela o seu espanto - eu nem sabia que havia parto normal, no Brasil isso é coisa de gente pobre, a minha família ficou chocada, minhas cunhadas vão para a clínica fazer cesariana.

6.2.07

Só sei que nada sei




e durante estes últimos dias tenho ouvido tantos que tudo sabem, que dizem com tamanho à vontade tantas coisas que não entendo. E cada vez sei menos.
Como se pode pedir a uma mulher, vá carregue-o, sofra-lhe os enjoos, sinta-lhe os pontapés, alimente-se bem que é para o bem dele, não fume, não beba, venha às consultas, faça as ecografias, tenha todas as dores do parto e no fim … dê-o?

22.5.06

Dos partos


Eu e os partos,
pelo menos disto posso falar com conhecimento de causa, passei por isso por três vezes. Como sobre muitas coisas tenho ideias muito seguras sobre este assunto, mas admito que haja quem pense ou sinta diferentemente.
De todas as vezes encarei o acto de parir com optimismo acompanhado de algum receio. Por isso tenho a certeza de nunca haveria de aderir ao parto em casa, sinto-me muito bem na segurança de uma boa maternidade, rodeada de enfermeiros, obstetras e pediatras. Aquando do nascimento do meu terceiro filho e já estava ele com a cabeça quase de fora ainda achei forças para perguntar “e o pediatra já está aí?”. Quanto ao resto, considerei quase tudo acessório, o parto dura umas horas, e que verdadeiramente importa é ter um filho saudável para a vida inteira. Enfermeiras antipáticas, o diabo que as carregue, sou muito melhor que elas, enfermarias barulhentas, amanhã estou em casa, médicos insensíveis, ajude-me cá a por o meu filho no mundo em boas condições e depois desapareça...

tive quase sempre a sorte de não encontrar gente assim.

Que não há emoção maior do que aquela que se sente quando o nosso bebé chega ao mundo e berra a plenos pulmões, meu filho, meu querido filho que encheste o mundo de luz. Mas um filho... é para a vida.

A dor: ter filhos dói muito. Pelo menos comigo assim foi. Nunca nasceram sem que eu não desse por isso
(no trabalho de parto do primeiro muitas vezes disse para quem me quis ouvir, não sei como há mulheres que têm mais do que um filho. Mas passado pouco mais de um ano lá estava eu outra vez. Porque aquilo custa, mas se tudo correr bem, é só umas, às vezes muitas, horas e passa, e é imensaaaammmmeeeente recompensador)

e por isso vi como uma benção ter tido epidural no terceiro. Lembro-me que quando nos dois primeiros partos me diziam, faça força agora, eu pensava, faz tu que não deves saber como isto custa… enquanto que com a epidural estava pronta para fazer toda a força do mundo e o menino nascer num instante.

A episioctomia: dizem-me que se pratica demais e eu acredito, dizem-me que muitas vezes se faz só para conforto do médico, também acredito. É desagradável? É, nos primeiros quinze dias, ou por aí. Que causa traumas irreversíveis nas mulheres, horror ao sexo, vergonha, nunca senti nada disso.

A minha ideia final é que se efabula demasiado à volta do tema, o que na maioria das vezes nem sequer é benéfico para as mulheres.

O que eu nunca permitiria: que me levassem o menino para um berçário, parto provocado porque é o dia em que o médico está de serviço, ou porque o médico vai de férias ou… cesariana porque é mais fácil, ou porque… Os meus filhos nasceram no fim do tempo, quando quiseram nascer, nunca foi o meu obstetra assistente que fez o parto porque nunca calhou assim. O que interessa é que me senti em segurança com as pessoas que lá estavam e com o pai dos meninos ali ao lado.



PS só mais uma coisinha, se vivesse em Elvas e achasse que o meu filho nascia melhor em Badajoz, queria lá saber que ele nascesse espanhol.