30.6.09

A praia



Um destes dias fui à praia, o dia adivinhava-se quase chuvoso, mas mesmo assim... Naquela praia tinha chovido toda a noite, o ar estava ainda mais húmido, mas o sol resplandecia e a evaporação libertava os aromas das plantas das dunas. Cheiros bons e intensos de que não sei o nome. Uma praia rodeada de serra de novo verde, bons acessos, um bar simpático e civilizado. Inexplicavelmente, de cada vez que lá vou, a praia está praticamente deserta, uma ou duas famílias com crianças pequenas. O mar não convida a banhos e, pese a minha ignorância, também não é adequado ao surf. As três famílias com crianças pequenas colocam-se a uma distância mais que segura, impossível escutar qualquer conversa, e, se beijos houvessem, mais do que os dos castos afectos familiares, não poderiam ser observados, dada a distância. Praia má para mirones. Uns poucos quilómetros a sul, a turba. Estranha aquela praia. Assim seja.

26.6.09

NOTA para fim de semana


O velhinho (sim que já leva 6 anos, uma eternidade) sempre jovem Aba de Heisenberg em velocidade de cruzeiro. Tal não se deve a esta que aqui vos escreve, enterrada na modorra do verão*, mas aos outros que por lá andam e que dão muito bem conta do recado.



*e na saga da leitura do homem sem qualidades ... para distrair comecei a ler um prémio nobel, mas que raio de prémio nobel se aquilo não me parece mais que um argumento de filme de hollywood!


Want to fix the schools? Look to Portugal



Controverso?

19.6.09

Sorria que está a ser televisionado


O que eu gosto dos políticos. Assisti, na televisão, a uma pequena parte da sessão da moção de censura. Mais propriamente a uma intervenção do Paulo Portas e depois à do Aguiar Branco. Do Aguiar Branco nada a assinalar, um discurso bem preparado e coerente, com princípio meio e fim. Já o Paulo Portas... pensava eu que aquilo da moção era uma coisa séria. Pois qualquer vendedeira do Bolhão faria a mesma figura que o líder, que estilo: meia dúzia de lugares comuns repetidos à exaustão, quiçá para preencher o tempo a que tinha direito, e-ainda-lhe-digo-mais-senhor-primeiro-ministro, e lá vinha a frase c) de novo. E no entretanto, enquanto o Feio, e que feio que é, pontuava cada tirada de muito bem, é assim mesmo, duas bancadas atrás a loira beleza fazia boquinhas e trocava recadinhos (piadas?) com o colega Nuno, este ultimo saía do lugar, sem a mínima das dignidades. A darem azo a que o bom povo diga “Aquilo? uma cambada de malandros”.

17.6.09

E o Irão aqui tão perto (III)

sendo a comunicação social portuguesa tão pobrezinha a este respeito, como se fora de somenos importância, podem seguir a informação do Jugular.

Das famílias de acolhimento

Oiço na rádio um anúncio a uma associação do norte que pretende sensibilizar os portugueses para o problema das crianças que, por motivos vários, são retirados às famílias e que, segundo o anúncio, necessitam de uma família de acolhimento. Não ponho em causa as boas intenções dessa associação que nem conheço, ouvi hoje pela primeira vez esse anúncio. Mas as crianças em risco, como todas as crianças, não precisam de uma família de acolhimento, precisam de um futuro. E raramente esse futuro é acautelado, ou acautelado da melhor forma pela passagem por uma família de acolhimento. Comecemos pela família e pensemos que acolher uma criança não é encarado como uma maneira de aumentar os proventos familiares. Mesmo que à partida se esclareça que o acolhimento é temporário, é lícito esperar que ao fim de uns meses ou, mais realisticamente, de uns anos a família não tenha criado laços muito fortes com a criança (e vice-versa) e que a deixe partir alegremente para outro futuro? Os casos que a comunicação social tem explorado até à exaustão dão a resposta. Se uma criança foi retirada à família biológica por alguma razão (forte) foi. A maioria dessas crianças são muito problemáticas e apresentam muitas vezes défices de desenvolvimento importantes, estará a família de acolhimento preparada para lidar com uma criança assim? Garantirá à criança todo o apoio especializado de que necessita? Quem vê os anúncios de organizações que lidam com crianças vê normalmente bebés ou meninos pequenos, lindos e sem problemas. Não vê uma criança que com um ano e meio nunca tinha saído do berço ou uma criança de quatro anos que diz que a mãe chupa a pila do pai.
No interesse da criança espera-se que a segurança social e os tribunais façam depressa o seu trabalho e a criança possa regressar ao um futuro na sua família biológica ou numa família adoptiva. E sabemos, quanto mais não seja pelas histórias da Tv, que mais facilmente é esquecida uma criança que esteja entregue a uma família, a segurança social é exímia a considerar uma criança “arrumada”. Por tudo isto, embora possa parecer que a solução de uma família de acolhimento é mais humana, a criança e o seu futuro estarão melhor entregues numa instituição. Desde que a instituição cumpra o seu papel quer de proporcionar aos meninos um ambiente o mais equilibrado e afectuoso enquanto os tem à sua guarda, quer, e se calhar sobretudo, trabalhando com a segurança social e os tribunais (e pressionando-os) de modo a que agilizem o futuro desses meninos.

Copos a 25 cêntimos


está mal, está muito mal. Nas lojas de fábrica da Marinha Grande não se compra um copo capaz de figurar numa cozinha por menos de um euro, um euro e meio, preço de fábrica. Como é que uma loja discount vende copos a 25 cêntimos? Preço de revenda após importação, produção. Copos que nem sequer indicam a origem, mas pode-se imaginar ... Por razões sociais, humanas e económicas não devemos pactuar com estes métodos, abaixo os copos a 25 cêntimos cada.


os copos a 25 cêntimos são um pequeníssimo exemplo, a pontinha do iceberg, falaram-me em sacos de 100 berlindes de vidro a 85 cêntimos e muito mais que quem vai á loja do chinês conhece.

16.6.09

E o Irão aqui tão perto (II)



Muito se tem escrito sobre o Irão na blogosfera dos últimos dias, possam essas vozes colmatar o silêncio das televisões portuguesas (ontem num zapping passei por esse canal chamado TVI24 e estava a começar um especial-informação; sobre as eleições iranianas? não, muito mais importante, sobre o Benfica).
Um querido amigo que viajou há pouco pelo Irão dava-me conta das suas impressões “Que país...fascinante!”. E de como um povo culto, que carrega toda a história da civilização, se deixa arrastar do lume para a frigideira e se enche de esperança a cada mudança. Penso que a alma do povo iraniano, ou de uma boa parte do povo iraniano, das suas esperanças e desencantos, ficou magnificamente expressa no filme de Marjane Satrapi, Persepolis.

15.6.09

e o Irão aqui tão perto

is like calling a deep cut a small scratch





via jugular

Pelos cabelos


Todos os anos milhares de mulheres indianas sacrificam a sua bela cabeleira aos deuses. Todos os anos chegam aos portos americanos contentores transportando toneladas desses esplendorosos cabelos azeviche para serem, tingidos ou não, transformados em extensões ou perucas para americanas ricas ou da classe média empenhada. Dizem os cabeleireiros americanos que os cabelos das mulheres da Índia são os “melhores do mundo”. Dizem as mulheres da Índia que os deuses hão-de fazer dos cabelos-oferenda o que muito bem entenderem.

12.6.09

drogas, sexo e adolescentes



a minha filha, que fez ontem 15 anos, saiu-se com esta anteontem ao jantar: a mãe (eu, presente) disse (quando? meu Deus, quando?) que experimentou haxixe e que não gostou. Eu disse? – por menos que isso caíram políticos e eu revelei uma alarvidade destas aos meus filhos? mãe irresponsável. – sim, disseste, lembro-me bem.
Pronto, se disse, disse. E é verdade, sim fumei haxixe em festas, nos tempos da universidade (muito importante esta referência à idade), como toda a gente fazia, e não gostava, por isso não o repeti muitas vezes. Não gostava do sabor, não gostava daquela coisa que me queimava a boca, e nunca senti nada parecido com a elevação ao sétimo céu. E a conversa continuou em ameno diálogo e com a autoridade que aquela revelação me conferiu, nunca experimentei speeds, nem ácidos, nem mais coisíssima nenhuma ilegal, porque nunca quis e por temer os efeitos imediatos e a médio prazo.
É isto que eu penso da educação dos adolescentes para os temas fracturantes, dar-lhes espaço para que eles possam por as suas dúvidas; e responder-lhes com sinceridade. E não, não sou uma mãe permissiva: arrepiam-me as horas a que os adolescentes andam á noite, vocifero contra os bares que permitem a entrada de menores de dezasseis anos. Mais depressa serei a mãe chata.


p.s. something completely different: os muitos pais, gente com estudos e com posses, senhores doutores de Coimbra, que transportam os filhos para o jardim infantil à solta, no banco de trás, são uns verdadeiros imbecis e deviam ir presos.

9.6.09

Das palavras educadas

quando eu gosto muito de uma coisa posso dizer que é fabuloso, não posso? Fabuloso é uma palavra educada, não é? (M. 5 anos no solstício)



quanto tempo durará a preocupação com as palavras educadas?

De ser judeu


No último número do Courrier Internacional, edição portuguesa, aparecem uma série de artigos dedicados à identidade judaica sob o título de capa “Quem inventou os judeus?”.
Neles Shlomo Sand, professor de história da Universidade de Telavive, e como ele outros denominados novos historiadores israelitas, põem em causa a existência e génese do povo judeu como mito fundador de um Estado de Israel, tal como vulgarmente o reconhecemos. Segundo Shlomo Sand em entrevista a este jornal “Basta, aliás, olhar para os judeus, para se perceber que não têm a mesma origem, como alguns defendem”. O que assim ser põem em causa “a legítima colonização” da Palestina baseada em origens históricas e num exílio que este historiador contesta “houve elites que emigraram. Mas, como sempre na História, as vastas camadas de produtores de alimentos não foram para lado nenhum”. O que não implica, por outro lado, que os habitantes da Palestina, sejam os descendentes dos que ficaram: muitos povos por ali passaram ao longo dos séculos, e os palestinianos de hoje provêm, como a maioria dos povos da terra, dessa mistura de povos e raças.
Assim, segundo estes novos historiadores, ser judeu não é uma essência, uma raça mas “viver uma grande religião”. “O judaísmo nunca foi um povo, foi sempre uma religião prosélita.”. E esta visão rácica do judaísmo tem tido pesadas consequências quer para o Estado de Israel, mistura de povos, quer para o conflito palestiniano que legitima. Ainda Shlomo Sand “Em Israel, sublinhar que judeu é uma «etnia» define um Estado que não é democrático mas “etnocrático”.

8.6.09

Eleições

Enquanto pela Europa a extrema-direita soma e segue, muitos houve em Portugal a, irresponsavelmente, apelarem à abstenção ou à união dos votos (fosse em quem fosse) desde que contra o Vital.




Como se escreve aqui: Mas hoje é tudo menos dia próprio para embandeirar em arco o que quer que seja, quando a direita encheu as urnas por essa Europa fora e também de certo modo em Portugal. O problema é que continua a não ser possível mudar de povos…

7.6.09

Dia de eleições



Dia mais comprido e chato, enfastiada, mesmo muito enfastiada, votei no be logo pela manha, numa escola que já viu melhores dias, rodeada de velhos, a minha freguesia é dos velhos, volto para casa e enfastiada ataco a página 189 do homem sem qualidades, a pontos de atirar com as 843 páginas e mais o Ulrich à cabeça de quem me disser que tenho que gostar deste Musil, pior que isto só o Proust mais a mãe a não desejar as boas noites ao menino. Pior e mais chato que um domingo só um domingo de eleições para a europa.
Grande post.



Bocejo.

5.6.09

Home

Vão votar

porque todos os outros argumentos não valem de nada. Mesmo que maioritários.

O que é uma alma?

É fácil defini-la pela negativa: é aquilo que se esconde quando falamos de séries algébricas.






Robert Musil, O homem sem qualidades, pág. 153 (senhores, a que ritmo vai a minha leitura...)

2.6.09

Absurdo 2


«do lote de bens em exposição faziam parte vibradores e objectos fálicos, de diversos tipos e tamanhos, bem como outros brinquedos atinentes à exploração da sexualidade, como baloiços, máquinas de vibração, aparelhos insufláveis, preservativos, anéis, cremes, correntes e bolas, destinados a serem utilizados como apoio ao acto sexual ou como aparelhos de auto-estimulação próprios do tipo de bens comercializáveis em exclusivo em sex shops, que carecem, legalmente, de licenciamento específico».

mas não é uma loja de artigos eróticos? o que devia vender, pentes para carecas? latas de atum?
adenda: o tribunal deu razão à proprietária e a loja reabriu; com grande mágoa de um dos inspectores da ASAE que considerou em tribunal os preservativos pornográficos ou (o que eu gosto deste ou) obscenos.

Absurdo


A Dona Marta tinha uma loja de artigos eróticos num centro comercial que já viu melhores dias. Serviço público, com os papéis todos em ordem e sem escandaleira, declarou a proprietária. Ao fim de algum tempo chega o braço puritano da ASAE, o conceito de pouca vergonha é relativo, e fecha-lhe o negócio. A Dona Marta inconformada, estava tudo legal e nos conformes da decência. Da notícia não se percebe se a ASAE terá também alegado as instalações da IURD a 35 metros da loja, 35 metros e duas esquinas... Se me tivessem pedido opinião eu fechava a IURD e mantinha o negócio da Dona Marta.

1.6.09

Satoshi e o mirandês


Satoshi cidadão japonês e a mais a sua bicicleta à descoberta de Miranda e dessa língua tão antiga, o mirandês. Portugal que chega de novo ao Japão pela mão de Satoshi e do mirandês, agora património universal como qualquer língua de qualquer lugar da Terra, por mais recôndito. Pelo meio Satoshi é baptizado de Tomé, um nome muito mais provável em terras de Miranda, o nome do meu avô por quem tinha grande estima, justifica o pastor padrinho. A isto se devia chamar globalização.