18.7.07

Philip Roth, " Everyman" um livro sobre a morte

A ler por espíritos fortes a quem a ideia do envelhecimento e morte não aterroriza. Tenho um amigo que fuma como um cavalo, apesar dos graves problemas pulmonares de que sofre, bebe imenso, faz noitadas atrás de noitadas, mas que não consegue ver um carro funerário sem ficar histérico e em pânico. Este livro não é para ele.

Também sobre a morte-suicídio:

… how it had been for her to kill herself. Did she do it in a rush, gobbling down the pills before she changed her mind? And after she’d finally taken them, did she scream that she didn’t want to die, that she just couldn’t face any more crippling pain…
Or did she do it calmly, convinced at long last that she was not making a mistake? Did she take her time, contemplatively holding the pill bottle in her two hands before emptying the contents into her palm and slowly swallowing with her last glass of water, with the last taste of water ever’

Did she show no fear, thinking only, At last the pain is over, the pain is finally gone, and now I have merely to fall asleep to depart this amazing thing?

But how does one voluntarily choose to leave our fullness for that endless nothing? How would he do it? Could he lie there calmly saying goodbye?

12.7.07

A mulher caranguejo

Paula Rego "Mulher cão"

Encontrei-a numa rua estreita, numa daquelas ruas onde dois carros não cruzam, que as há muitas em Coimbra. Seguia no carro em frente ao meu. Seguíamos em marcha muito lenta adequada à sinuosidade do percurso. De repente a mulher parou e fez-me sinal para recuar. Como não percebi a intenção e recuar me é fastidioso saí do carro para ver qual seria o obstáculo. Nada. A mulher abriu a janela e disse-me “importa-se de fazer marcha-atrás, quero sair daqui”. Eu respondi-lhe que compreendia, mas que ela podia sair daquela rua andando em frente em vez de me obrigar a mim e a quem viesse a seguir a andar mais de 50 metros para trás, que isso me parecia mais razoável. A mulher manteve-se firme, “pois é, mas eu quero ir às arrequas. Olhe, menina, cada um é como qual”. Pois é!

11.7.07

Macrocefalia delirante

A sério, até na RTP África?

aleitamento


A lactação de S. Bernardo
Josefa d'Ayalla (1634-1684)

9.7.07

Gastronomia

A mulher parecia portuguesa, o homem alemão, pediu para acompanhar a refeição, água, com gás, acrescentou, era alemão. Em seguida fez o pedido, em voz baixa. A empregada é que não esteve pelos ajustes e gritou para a cozinha e para que todo o restaurante ouvisse a sua indignação: a acorda pode sair com vitela estufada em vez de jaquinzinhos???? Não lhe vi a cara, à empregada, mas posso imaginá-la ...
O homem alemão resolveu especificar, e de novo se ouviu a voz da empregada restaurante fora: aquela açorda que é para ser servida com vitela estufada, pode ser sem ovo e sem alho???

6.7.07

Ultimamente

Ultimamente não tenho tido tempo nem paciência para escrever, nem para ver televisão, nem rádio no carro, e ia dizer, nem para ler. Nem para ler não é verdade, porque no feriado (4 de Julho, dia da Rainha Santa Isabel, nossa padroeira, feriado municipal de Coimbra) li de uma ponta à outra “As mulheres do meu pai” do José Eduardo Agualusa. Na verdade eu até nem queria ler “As mulheres do meu pai”, na noite anterior tinha ido à FNAC pelo “O Vendedor de Passados”, que me parece uma ideia fantástica, uma ideia de negócio, quero eu dizer; mas na FNAC apareceu-me “As mulheres do meu pai” e como o que eu queria era trazer o Eduardo Agualusa, que é bem giro e charmoso, mais o vidão que ele leva, de África para o Brasil passando por Portugal, a vidinha que mesmo me convinha, olhei para o livro e disse “também serve”. E serviu para que no dia 4 de Julho eu não fizesse praticamente mais nada e chegasse ao fim do dia com o livro lido e a sensação de dever cumprido, tipo aqueles programas de televisão que se comprometem a redecorar completamente uma divisão de uma casa em 48 h, e no fim das 48 h ficam todos muito satisfeitos porque conseguiram e ficou tudo muito giro. Gostei do livro, lê-se bem, tem personagens interessantes, algumas divertidas, algumas trágicas, e sobretudo tem África, e eu gosto muito de África, apesar de nunca lá ter posto os pés.
Para além do romance do Agualusa, li esta noite a revista Visão quase de fio a pavio. E gostei de saber que o Saldanha Sanches chumbou, chumbaram-no, nas Provas de Agregação, porque objectivamente, o homem só sabe de Direito Fiscal, não sabe nadinha das outras áreas do Direito e isso não pode ser. Vê-se logo, não vê? Francamente Saldanha Sanches, cabulão!?
Televisão é que eu não me lembrava de ver, não fora a Vieira do Mar recordar-me um episódio no qual tropecei num noticiário, e nem sei como é que o esqueci de tal maneira o achei vergonhoso. Eu nem conhecia o ministro da agricultura do governo Sócrates, mas acho que nunca mais vou esquecer a cara de imbecil com que ele respondeu a um pescador, que se queixava que isto das pescas desde que entrámos na CE vai de mal a pior. E o ministro, ar de enjoado, respondeu-lhe “olhe, peça para sair da CE”, como quem diz , “Vá à merda” (Vieira sic), ou “seu monte de lixo, não me chateie”. Se calhar o cheiro a peixe estava a pô-lo, a ele ministro, maldisposto, eu também não gosto do cheiro das lotas, mas, a sério, se algum dia me saísse uma resposta dessas, eu, de vergonha, pegava no primeiro balde de carapaus e enfiava-o pela cabeça abaixo.