12.7.07

A mulher caranguejo

Paula Rego "Mulher cão"

Encontrei-a numa rua estreita, numa daquelas ruas onde dois carros não cruzam, que as há muitas em Coimbra. Seguia no carro em frente ao meu. Seguíamos em marcha muito lenta adequada à sinuosidade do percurso. De repente a mulher parou e fez-me sinal para recuar. Como não percebi a intenção e recuar me é fastidioso saí do carro para ver qual seria o obstáculo. Nada. A mulher abriu a janela e disse-me “importa-se de fazer marcha-atrás, quero sair daqui”. Eu respondi-lhe que compreendia, mas que ela podia sair daquela rua andando em frente em vez de me obrigar a mim e a quem viesse a seguir a andar mais de 50 metros para trás, que isso me parecia mais razoável. A mulher manteve-se firme, “pois é, mas eu quero ir às arrequas. Olhe, menina, cada um é como qual”. Pois é!

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