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21.12.07

Veneza



Para mim, que nunca saí da Europa, as duas cidades mais fascinantes são Istambul e Veneza. Para o que muito contribui a história, para o que muito contribui a água.
Estive em Veneza num mês de Junho, dizem que é mais bela no Inverno.... Dormi numa pousada na Giudecca e nunca hei-de esquecer o apanhar do último vaporeto na Praça de S. Marcos, numa noite quentérrima e muito, muito, húmida. Sei um bocadinho de italiano, e por estupidez e ideias preconcebidas sempre achei que o nome da ilha, Giudecca, devia derivar de giochi, jogo. A minha faceta turista a vir ao de cima, Veneza, Carnaval, Máscaras, Jogo. Hoje a ouvir uma gravação do Questões de Moral, do Joel Costa, fiquei a saber que a Giudecca era a ilha dos judeus (muito mais óbvio). Que lá viveram e prosperaram (pelo menos alguns) até que em 1519, a Sereníssima República, bem pouco serena, os resolveu enviar e enclausurar numa outra ilha. Nessa ilha fundiam-se metais para produzir as munições que defenderiam a Sereníssima, e a essa actividade chamavam os italianos guettar (não sei se com esta ortografia), de onde surgiu a denominação de Guetto dada aquele local. O primeiro gueto da história.

20.12.07

O Porto do Pireu



Quando estive em Atenas fui passear até ao Pireu. Fui sozinha, ninguém quer ir passear ao Porto do Pireu. Todos os meus colegas tinham ido no dia anterior, para embarcarem nos cruzeiros das ilhas dos parolos, nos cruzeiros de turistas, em que servem maus almoços de turista acompanhados de genuínas danças populares gregas para turista. Eu vaguei pelo meio dos navios enormes, pelo meio dos imensos ferry-boats que levam pessoas a sério, aqueles que vivem mesmo nas ilhas e que vieram a Atenas para ir ao médico, ou visitar familiares, ou tratar do passaporte que lhes permita ir morar para longe. O Porto do Pireu não tem nada de bonito, de bonito só as uvas vendidas aos cestos na estação dos comboios. Mas eu tinha que ir ao Pireu, tinha de ir lá e imaginar-me a entrar num navio de viajante, nunca num cruzeiro de turista.