25.3.08

Indisciplina nas escolas



Sofia, é verdade ser professor não é para todos, principalmente ser professor de adolescentes, hormonas em turbilhão. É verdade, Rui (parabéns pelo post), a adolescência agora dá para tarde, já tinha reparado, e a universidade está cheia de adolescentes a precisarem de um bom par de estalos. Fui professora e de início fiz muitos disparates, ninguém me ensinou, aprendi à minha custa, e nos últimos anos consegui manter uma boa relação “de autoridade” com os alunos, era considerada pelos miúdos, uma profe fixe. Não me satisfazia dar aulas, mas adorava os miúdos, numa idade em que são tão espontâneos. O que não me leva de maneira nenhuma a desculpar a atitude inqualificável da menina do Porto. Quando os meus alunos me diziam de um outro professor ou de uma outra professora que ele/ela não sabia manter o respeito na aula, respondia-lhes que não era o meu colega que tinha que manter o respeito, eles, alunos, é que tinham a obrigação de se portar bem. Desculpabilizar os miúdos nessa idade só serve para que eles nunca percebam o lugar que ocupam na sociedade e o lugar que têm que ocupar pela vida fora. Na escola, na rua e em casa. Nunca aceitaria que um dos meus filhos fosse malcriado com um professor, por muito bera que fosse o professor.
Só há uma situação em que desculpo os alunos na relação com os professores: quando os professores não respeitam os alunos. E não são poucos os exemplos de professores capazes de chamar atrasado mental, ou quadrúpede a um aluno. No início de cada ano perguntava sempre aos meus alunos que tinham dois nomes próprios por qual dos nomes preferiam ser chamados, porque às vezes tinham nomes que nem ao diabo lembram. Tinha uma aluna chamada, Otelina Marina, e a professora de Ciências insistia em chamar-lhe Otelina, o que a miúda detestava. Um dia chamei a atenção da colega para isso. Resposta “e eu quero lá saber, chamo-lhe Otelina e pronto”. Depois queixam-se.
Outro dado interessante para a discussão é a falta de solidariedade entre os colegas professores, são frequentes as conversas do tipo “A sério, eles portam-se mal nas tuas aulas? Na minha são impecáveis”, acompanhadas do um sorriso entre o condescendente e o maldoso, o que faz com que, muitas vezes, seja impossível tomar as tais atitudes concertadas.

Voltarei a este assunto

5 comments:

vieira do mar said...

Gostei muito deste seu post, Isabel, lúcido e conciso. Não é difícil perceber porque é que a consideram uma professora fixe. ;) Mas, pelo facto de criticar duramente a professora (seguramente, uma "não-fixe" para os seus alunos, caso contrário as coisas não teriam chegado àquele ponto) não pretendo de todo desculpabilizar a aluna, que deve ser obviamente punida.

Isabel said...

Obrigado Vieira, na verdade não é fácil ser professor e o ensino está cheio de gente que foi o que arranjou... No meu caso tinha a tarefa facilitada pelo que expliquei, adoro adolescentes com todos os desafios que apresentam. Mas já não dou aulas há 10 anos.

Isabel said...

Obrigado Vieira, na verdade não é fácil ser professor e o ensino está cheio de gente que foi o que arranjou... No meu caso tinha a tarefa facilitada pelo que expliquei, adoro adolescentes com todos os desafios que apresentam. Mas já não dou aulas há 10 anos.

Isabel said...

Obrigado Vieira, na verdade não é fácil ser professor e o ensino está cheio de gente que foi o que arranjou... No meu caso tinha a tarefa facilitada pelo que expliquei, adoro adolescentes com todos os desafios que apresentam. Mas já não dou aulas há 10 anos.

Isabel said...

e agora o blogger passou-se e quis dar a ideia de que tenho muitos comentadores o que não é verdade