19.6.07

Do medo





Talvez tenha sido o dia em que voltei inesperadamente para casa com febre e a garganta inflamada e surpreendi o meu pai na cama com a minha mãe que me deixou com este medo de portas, o meu medo de abrir portas, o meu medo de abrir portas e a minha desconfiança delas fechadas.

Ou talvez fosse o entendimento, que me veio cedo, de que nunca possuiria ombros largos e grandes bícipes, nem seria suficientemente bom, suficientemente alto, suficientemente forte ou suficientemente corajoso, para me tornar jogador de futebol da selecção nacional ou campeão de pugilismo; a triste e desencorajante compreensão de que, fosse o que fosse que alguma vez tentasse ser na vida , haveria sempre alguém ao meu lado que seria capaz de fazê-lo muito melhor.

Joseph Heller “Pânico”

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