16.4.07

Da Vida

o cancro
ratando, ratando, injusto, teimoso,
cego. Mói e mata. Mata. Mata. Mata.
Mata. Levou-me tantas das pessoas que
mais queria. E eu, já agora, quero-me?
Sim. Não. Sim. Não - sim. Por enquanto
meço o meu espanto, à medida que nas
árvores da cerca uns pardais fazem ninho.
A primavera mal começou e eles
truca, ninho. Obrigada, Senhor, por
haver futuro para alguém.



António Lobo Antunes in “Crónica do Hospital”
Visão de 12 de Abril de 2007

No comments: