Portugal, um retrato social
Portugal, a meio dos anos 80 (sec XX), uma aldeia da ria:
O pai, camionista de profissão, bruto de feitio, de dia ninguém o via, à noite sentava-se sozinho numa sala onde a mãe lhe servia a ceia, nunca comia com a família. A mulher ou as filhas cozinhavam-lhe todos os dias a mesma refeição, uma panela de batatas, bacalhau e vagens cozidas, que acompanhava com três quartilhos de vinho da pipa da taberna. Não dirigia a palavra à mulher e aos filhos, imagina-se que, quando necessário, os açoitava a todos (ou talvez não).
A mãe, tratava da casa e da criação com a ajuda das filhas, no resto do tempo cuidava do negócio da família, uma taberna com mercearia incorporada, por uma porta entravam os bebedores, pela outra as mulheres como ela, que se vinham aviar de pão, azeite, arroz ou uma barra de sabão clarim. A mãe e o pai tinham completado a quarta-classe.
O filho mais velho, 9º ano completo, seguia as pisadas do pai, na profissão e no resto. Não falava com os irmãos e imagina-se, que se necessário, lhes distribuía tabefes (ou talvez não). Era simpático para a forasteira, talvez por isso mesmo, por a considerar uma forasteira, a bem dizer uma extra-terrestre.
A filha mais velha, sonhadora consegue quebrar o ciclo e ir estudar para a universidade, vivia em liberdade muito condicionada. Nas férias voltava a casa e comportava-se como o pai e a mãe esperavam que se comportasse, ajudava em casa e na taberna.
O filho mais novo, um adolescente com problemas de personalidade, frágil, não dava nada nos estudos nem na vida. De uma timidez patológica não se sentou à mesa da família enquanto a forasteira por lá passou.
A filha mais nova, estudava na escola da vila, e no resto ajudava na casa e na taberna, apesar de muito nova os bebedores tinham-lhe grande respeito. A única personagem alegre de toda a família.
Adenda - Como é hábito perdi o primeiro documentário do António Barreto (ser mãe oblige). Já ouvi da sua qualidade e espero não perder os próximos.
O pai, camionista de profissão, bruto de feitio, de dia ninguém o via, à noite sentava-se sozinho numa sala onde a mãe lhe servia a ceia, nunca comia com a família. A mulher ou as filhas cozinhavam-lhe todos os dias a mesma refeição, uma panela de batatas, bacalhau e vagens cozidas, que acompanhava com três quartilhos de vinho da pipa da taberna. Não dirigia a palavra à mulher e aos filhos, imagina-se que, quando necessário, os açoitava a todos (ou talvez não).
A mãe, tratava da casa e da criação com a ajuda das filhas, no resto do tempo cuidava do negócio da família, uma taberna com mercearia incorporada, por uma porta entravam os bebedores, pela outra as mulheres como ela, que se vinham aviar de pão, azeite, arroz ou uma barra de sabão clarim. A mãe e o pai tinham completado a quarta-classe.
O filho mais velho, 9º ano completo, seguia as pisadas do pai, na profissão e no resto. Não falava com os irmãos e imagina-se, que se necessário, lhes distribuía tabefes (ou talvez não). Era simpático para a forasteira, talvez por isso mesmo, por a considerar uma forasteira, a bem dizer uma extra-terrestre.
A filha mais velha, sonhadora consegue quebrar o ciclo e ir estudar para a universidade, vivia em liberdade muito condicionada. Nas férias voltava a casa e comportava-se como o pai e a mãe esperavam que se comportasse, ajudava em casa e na taberna.
O filho mais novo, um adolescente com problemas de personalidade, frágil, não dava nada nos estudos nem na vida. De uma timidez patológica não se sentou à mesa da família enquanto a forasteira por lá passou.
A filha mais nova, estudava na escola da vila, e no resto ajudava na casa e na taberna, apesar de muito nova os bebedores tinham-lhe grande respeito. A única personagem alegre de toda a família.
Adenda - Como é hábito perdi o primeiro documentário do António Barreto (ser mãe oblige). Já ouvi da sua qualidade e espero não perder os próximos.
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